Terça-Feira, 17 de Setembro de 2019

Dhian Carlos Thierizi

Dhian Carlos é um jardineiro iniciante.

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30 Minutos daquela Noite



Eu queria voltar para os 30 minutos daquela noite, depois da faculdade.

Eu queria voltar.

Poderia voltar como um espírito viajante, para acompanhar de fora aquele momento.

Isso pode acontecer, não pode?

Que se foda! Já que existe toda essa história de prever o fim do mundo, de falar com mortos, sabe? Essas coisas dos Incas, Astecas, Maias, Petecas, Saias, do Kardec...

Essa não é uma ideia tão arrogante assim.

Enfim, eu preciso agora, agora mesmo voltar para aquela noite, acompanhar e memorizar os detalhes. Há coisas que lembro. Há coisas que não lembro.

Talvez eu leve uma câmera, para dar menos trabalho.

Eu queria lembrar a conversa que ele teve com a moça que chegou apressada no ponto. Ela fez duas ou três perguntas sobre os horários. Eu lembro que meu amigo respondeu prontamente e ela ficou irritada com algo. Muito irritada, pra falar verdade.

Ele olhou pra mim, abriu os braços e fez aquela cara que diz: “eu falei alguma coisa errada?” Houve um momento em que moça, desesperadamente apressada, farejou algum traço de ironia nas respostas. Eu perdi esse momento, não consigo lembrar.

Assim como a nossa conversa dentro do ônibus também se perdeu. Foram 8 minutos, talvez 6, antes de chegar ao terminal.

Falamos sobre filmes? Algo sobre música?

Naquele tempo eu nem queria saber de Matrix e ACDC. Pode ter sido isso, pode ter sido a insistência dele:

“É da hora, brother! Você vai gostar!”

Ele pode ter falado que já tinha comido alguma garota que estava naquele busão. É provável, porque segundo ele, todas as garotas bonitas e gostosas da faculdade pegavam o mesmo ônibus.

“Essa mina aí vai no meu busão.”

Eu lembro que lemos uma pichação, já perto do terminal, que dizia o seguinte: “O amor é importante, porra!”.

Genial. Um ótimo tema para um conto ou crônica.

Mas não lembro se a gente especulou sobre a importância do amor.

Foram mais alguns minutos no terminal, à espera dos outros ônibus que nos levariam para mais outros ônibus.

Atribuímos semelhanças às pessoas que estavam lá.

Olhamos para algumas bundas. Peitos também.

A água do bebedouro não estava agradável. Como não poderia deixar de ser.

Parametrizamos algumas situações com a ajuda das frases dos livros do nosso escritor favorito. Tudo muito sagaz, tudo muito engraçado, tudo muito inteligente.

- Cara, a gente tinha que anotar essas coisas e escrever um livro! Ou fazer um blog, ou um vlog!

- Fazer igual ao Roberto Carlos né?

- O lateral ou o cantor?

- O cantor! Ele carrega um gravador, um daqueles pequenos, e quando tem um insight, ele grava.

- É, é uma boa ideia! Mas vamos começar com a caneta e o papel mesmo. Eu nem sei se vendem desses gravadores por aqui.

- Pode ser.

Silêncio.

Instantes de silêncio.

- Eu tenho medo cara.

- Do quê?

- Das coisas não acontecerem como a gente quer. Tô preocupado! Olha pra gente, olha pra nossa vidinha! Que vidinha mais desgraçada! Até quando isso vai continuar?

E de novo ela aparecia! A realidade!

Partilhávamos do mesmo medo, mas tinha que dizer alguma coisa. Com isso, nossa felicidade instantânea e sua efervescência poderiam sobreviver naquela noite.

Eu simplesmente não poderia deixar ela, mais uma vez, tirar sangue do nosso nariz. E como a vagabunda adorava fazer isso!

- Calma brother! Pense por hoje apenas, pense que se formos dois velhos fracassados, teremos esse dia pra lembrar. Teremos esse dia para sentir saudade. E saudade é uma coisa boa!

O argumento caiu bem. Pude perceber a aceitação respeitosa do meu amigo.

O deus dos terminais mandou suas carruagens e cada um tomou seu caminho.

Felizes. Felizes até o dia seguinte que, afinal, é outro dia.

E muitos outros deles se passaram. Continuam passando.

Ainda não estou velho. Não sou nenhum fracassado. Não completamente.

Contudo, não há um dia sequer que eu não tenha essa vontade de voltar para os 30 minutos daquela noite. Como também já disse.

Não há um dia em que não ofereço lágrimas para essa cruel e irrecuperável natureza do tempo.

Aquele argumento de escape tomou forma e cravou-se como uma verdade absoluta:

Eu só tenho a minha saudade.

Nós só temos a nossa saudade.

E saudade é uma coisa boa.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 










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