Sexta-Feira, 22 de Fevereiro de 2019

Ricardo Rios

Mestre em Ciências Contábeis pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – PUC-SP, Pós Graduado em Gestão Empresarial pela Universidade Nove de Julho, Bacharel em Ciências Contábeis pela Faculdade de Administração e Ciências Contábeis de São Roque.

Atua na área Contábil Tributária há 23 anos.

Ver todas as colunas

A Santa Casa e a Torre de Babel



Babel foi capital da Babilônia, cidade muito rica e poderosa. Diz a lenda que seus moradores resolveram fazer uma torre para chegar ao céu. Os Deuses vendo que a soberba dos homens havia ultrapassado todos os limites decidiram fazê-los falarem línguas diferentes. Como ninguém mais se entendia, a obra parou.


A Santa Casa de São Roque vive drama parecido, com muita discussão e acusações que geram mais paixão e calor do que luz. Como ninguém se entende a entidade está capengando e, o que é pior, pode fechar.

A prefeitura, quando fez a intervenção, acreditava que podia fazer o hospital e o pronto socorro funcionarem sem a participação dos administradores que saíram. Um erro, porque gerou um conflito desnecessário.


Também deu passo maior que a perna quando imaginou que tinha bala na agulha (dinheiro), não só para manter o que vinha sendo feito, como para incrementar outros procedimentos, como a vídeo - laparoscopia, cirurgia da catarata e mamografia, para ficar só nesses exemplos, tudo pelo SUS, com divulgação pela mídia e direito a pose para fotos. Muito bonito.


Só não levaram em conta que a tabela SUS não cobre nem de longe o custo das entidades filantrópicas, e os programas foram para o espaço. Faltou dinheiro até para pagar os médicos, que resolveram parar. Estava instalado o conflito com o corpo clínico. Outro erro administrativo.
A intervenção não levou em conta que o Plano de Saúde tem o mesmo CNPJ da Santa Casa e se viu obrigada a assumir o convênio que tem quase dez mil vidas e, agora, com a paralização, deixou-as numa situação de penúria com atendimento muito precário. Os pacientes estão sendo levados para outras cidades, inclusive os de outros planos. Nesta semana, a maternidade fechou.


Não podemos nos esquecer dos trezentos e cinquenta dedicados funcionários do hospital que vivem num mar de incertezas, sem saberem o que vai acontecer.


A Constituição diz que a administração pública - condição que a Santa Casa vive hoje - deve ser norteada pela legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência. É fácil perceber que pelo menos o último quesito foi deixado de lado.


Diante desse cenário dramático é preciso que os responsáveis pela saúde, que envolvem a prefeitura, o conselho da Santa Casa, o Corpo Clínico, os interventores, a Câmara de vereadores e o Conselho Municipal de Saúde comecem a falar a mesma língua e encontrem uma saída para a crise, para não serem acusados de omissos.


Se não houver união para resolver o impasse, a situação só tende a piorar e trazer ainda mais prejuízo à população, que pode reagir. 












Dogus Comunicação

Sobre a Dogus Comunicação  |   Política de Privacidade  |   Receba Novidades  |   Acesse pelo Celular

Melhor Visualizado em 1200x900 - © Copyright 2007 - 2018, Dogus Comunicação. Todos os direitos reservados.