Quarta-Feira, 18 de Maio de 2022

Pedro Fagundes de Borba

Estudo ciências sociais na Universidade do Vale do Rio dos Sinos; escrevo para portais; me chamo Pedro Fagundes Borba.

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Ameças à independência



     Por causa da pandemia de COVID-19, o exército brasileiro anunciou que não farão grandes desfiles ou manifestações militares durante o próximo sete de setembro, para evitar aglomerações e não propagar mais ainda o vírus. Principalmente agora que se está aumentando as vacinações, tomar alguns cuidados para que faça efeito. Tradicionalmente, os desfiles seriam em homenagem e comemorações ao dia da independência brasileira, ou, ao menos, quando se faz a comemoração do evento. Os militares, devido a esta situação, decidiram não realizar os desfiles, ainda que a vacinação já tenha dado maiores efeitos. Seria possível a realização com alguns cuidados. Mesmo que em desfiles as pessoas se aglomerem nos espaços para assistir, seria possível com capacidade limitada.

     Apesar disto, o feriado continuará acontecendo. Desde o início de seu governo, Jair Bolsonaro tem bravateado e falado contra a democracia e a república, defendendo a instauração, ou restauração, da ditadura no Brasil. Uma série de vezes já, a mais emblemática em 2020, quando cavalgou até o Supremo Tribunal Federal, o presidente eleito tentou golpear a democracia levando tropas e apoiadores até instituições para promover fechamento e aumento de seu poder. Mais recentemente, não somente ele como também vários de seus apoiadores e parceiros políticos ameaçaram várias instituições nacionais, principalmente o Supremo Tribunal Federal, que agora o investiga também por isso, além de acusações de crimes por parte de Jair Bolsonaro ou de parentes. Pode-se destacar o deputado Roberto Jefferson, do PTB, que fez ameaças ao STF, bem como o cantor sertanejo e deputado, do Republicanos, Sérgio Reis, que queria tirar na marra os ministros do STF.    

     Em seu discurso, predomina-se o desprezo e o ódio contra as instituições brasileiras, contra a constituição e contra a democracia. Embora tenha deixado clara tal posição desde o período eleitoral, a antipatia popular por esta sua face tem crescido mais recentemente, devido, entre outras coisas, a má administração da pandemia de coronavírus, resultando em grandes atrasos no programa de vacinação. Anestesiada pelas promessas de uma possível melhora do Brasil, esta retórica bolsonarista foi vista e cooptada pela população como necessária, que nela via uma possibilidade de melhora na realidade brasileira. Com a queda desta imagem, o discurso e a retórica do eleito em 2018 está se enfraquecendo, ainda mais por seus ataques e tentativas de golpe no Brasil, o qual apenas sua parcela mais fanática, uma fatia minúscula, apoia.

     Neste sete de setembro, entretanto, ainda tenta chamar as ruas para defendê-lo, organizar manifestações em seu favor. Muitas outras, desde o início de seu mandato, foram convocadas e feitas, a maioria com sua parcela ferrenha. Agora a convocação tem chances de conseguir mais gente por causa da instabilidade e discurso anticomunista. Com uma crise política forte, aumentam as chances do sucesso destes posicionamentos, e uma grande manifestação pode legitimá-los e ajudar na ação de um golpe.

      O discurso de Bolsonaro, além de extremamente antidemocrático, representa várias ameaças a independência nacional. A mais notável, certamente, é a questão da independência enquanto liberdade política. Esta seria perdida através do golpe proposto pelo presidente eleito, uma vez que fecharia STF, congresso e as eleições. Terminaria quase com a independência proclamada em 1822, que queria se separar de Portugal, tornando-se um país de governo próprio. Agora venderia a independência aos EUA, fazendo do Brasil uma filial ianque, tirando nosso poder sobre nossos recursos e forças do território. Além dos direitos políticos brasileiros, oprimindo o próprio povo. Chamará para as ruas em nome de tais causas, conseguirem apoio popular para conseguir o que quer. Uma parte provavelmente irá, vários vídeos, postagens e usos da bandeira brasileira como símbolo das manifestações programadas para sete de setembro de 2021. Farão alguma cobertura. Mesmo possível ter repercussão e gerar efeitos sociais e políticos, ainda que a retórica esteja muito mais fraca do que já foi, principalmente nas eleições 2018. Os grupos de bolsonaristas fanáticos tentarão de tudo para ter este poder, ou concentrar nas mãos de seu ídolo.  

     O mais provável, pra não dizer certo, é que nada aconteça. Seja apenas mais uma das várias manifestações pró-governo ocorridas desde o início do mandato. Talvez a quantidade de público possua algumas variações. Não há apoio político ou menos militar, com exceção de alguns grupos da polícia e brigada, sem tanta voz na escala nacional para os comandos. Independemente disso, não há vontade de grandes grupos políticos para este ocorrer, entre outros motivos, pelas instituições responderem consideravelmente melhor á oscilações e questões surgidas através da política.      












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