Terça-Feira, 17 de Setembro de 2019

Dhian Carlos Thierizi

Dhian Carlos é um jardineiro iniciante.

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Assim como a sacola, Ela também vai.



Desço do ônibus.

Ela desce.

Ela é linda.

Está frio.

A rapidez dos meus passos não diminui o efeito dele.

O vento continua delirante.

Um céu de nuvens ralas.

Uma sacola de supermercado escorrega pelo asfalto. Teimosa, quer ingressar na calçada.

Pareço o jovem do filme beleza americana. Se tivesse a câmera faria o mesmo. Não, não faria. Faria um documentário. O documentário feito por um otário.

O documentário poderia ser sobre ela.

Sempre vestida de branco e que, na maioria das vezes, toma parte do mesmo caminho que eu na volta para casa.

Eu falo dela para os meus amigos.

Um amigo meu perguntou por que eu ainda não tentei falar com ela e eu disse que me sentia melhor apenas observando.

Ele me chamou de covarde. Eu não liguei. Até porque isso é um tipo de sentimento e decisão que ele jamais entenderia.

A sacola ganha a calçada e, meio que decepcionada, procura a grama e por último o riacho. Um riacho sem árvores e pedras. O mais feio que já vi.

Eu sei que não é culpa dele. As pessoas não gostam de cuidar das coisas. Só gostam de ter o nome de algum familiar como nome de alguma rua da cidade.

E para o riacho só resta a margem de cimento, ornamentada por bancos de madeira, viciados nos bancos e casais adolescentes com mãos e órgãos curiosos utilizando os bancos.

Os bancos servem para o depósito do nosso cansaço, das nossas vontades e da nossa sujeira. E eu acho que as pessoas também gostariam de ter o nome de algum familiar como nome de banco de madeira da cidade.

O pobre riacho não serve para nada. Ou melhor, ele serve. Serve para levar a sacola.

E a sacola vai.

Ela também.

Ela é sempre apressada.

Eu estou a alguns metros atrás.

Eu sei que daqui a poucos minutos o caminho não será o mesmo. 

Aí me restará apenas esse maldito céu sem estrelas.

Caminhando sob um céu estrelado você jamais estará sozinho. Mas aqui eu sei que não acontecerá.  Este céu não é como o meu céu dos 17 anos. Nunca será.

A pressa dela é inflexível. Parece que o medo belisca a sola de seus sapatos. O asfalto é como o inferno para ela.

Eu pouco reclamo do asfalto. Meus sapatos e ele são como gêmeos siameses.

É com ele que brigo e é ele que sabe todos os meus segredos.

Ele só se torna algoz quando me separa dela.

Ela segue em frente. Eu tenho que ir para a esquerda.

Eu tenho que ir para fazer o resto das coisas normais que faço antes de dormir e acordar e voltar a fazer mais um amontoado de coisas normais.

Quase não penso sobre o que ela fará. Apenas torço para que ela esteja amanhã e depois de amanhã e em mais outros depois nesta pequenina dezena de minutos.

Eu sei que jamais falarei com ela. Não quero.

Certas coisas devem permanecer na esfera da imaginação e observação para que jamais nos esqueçamos desse tipo de prazer.

Às vezes, isso também evita desapontamentos e máculas.

Falta de comunhão nem sempre é pecado.

E é isso o melhor que posso oferecer.

 

 

 

 

 

 










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