Quarta-Feira, 18 de Maio de 2022

Pedro Fagundes de Borba

Estudo ciências sociais na Universidade do Vale do Rio dos Sinos; escrevo para portais; me chamo Pedro Fagundes Borba.

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Confucionismo



    Na perspectiva e nos estudos da política, muito se debate sobre as construções, sua natureza e os efeitos. É um dos assuntos humanos mais complexos e o mais determinante, uma vez que seus efeitos são inescapáveis para aqueles onde as medidas políticas são tomadas. Como políticas podem ser conduzidas e, especialmente, quais as funções, impactos e realizações são possíveis de serem realizadas por parte dos cidadãos, dos indivíduos os quais estão vivendo na estrutura. Aqueles que têm maior contato com políticos, principalmente por família, tendem a ter muito maiores poder e influência nestes processos, assim como aqueles com alguma astúcia ou conhecimento governamental, que muitas vezes não tem grandes cargos ou influências, mas eventualmente tem alguma força.

    Muito se escreveu sobre as relações entre política, moral individual e condutas e ações governamentais, dando diferentes focos aos temas. Isto porque, embora a política seja algo em si mesma, com características próprias, pode ser muito moldada e influenciada pelas pessoas. Isto significa que as ações e qualidades de um governante pesam e fazem com que seja mais ou menos querido, em, alguns momentos, até mesmo mais ou menos eficiente. Para visões políticas mais profundas, tal característica governamental significa basicamente uma questão de propaganda, como o povo o verá. Pois suas qualidades de eficiência e sua moralidade ficarão focadas principalmente na maneira como será considerado, mas não conseguirá escapara da realidade política onde vive. Ainda que possa causar modificações e moldar situações de acordo com o conhecimento que tem sobre e as cartas disponíveis para uso em cada contexto.

    Uma vez que a política é algo que acompanha a humanidade desde sempre, já se apresentaram situações e pensamentos nos mais variados contextos e realidades, assim como culturas. Um dos mais antigos que se conhece, e que ainda mantém relevância e atualidade, é o filósofo chinês Confúcio. Para o mestre, a moral e a política são dois aspectos da mesma coisa, aquele que governa ou participa dos governos precisa ter uma postura moral e uma capacidade de se conduzir através disto. Entende que o poder presente no governante e seus ajudantes lhes dão um controle que determina os rumos da sociedade. Então é necessário saber como se portar para garantir a governabilidade, pois isso garantirá esta permanência.     

    Por organizar a política baseada numa ação e numa moral relacionadas, cria um jogo de bastante união entre contundente sobre a maneira de um político agir. Mesmo que não reflita e coloque as essências da atividade, não descreva essencialmente como as relações e questões se dão, traz importantes aspectos e ações para aqueles que fazem as ações políticas, pelo menos através de cargos. O pensador traz a maneira de agir nos momentos que descreve e como aconselha seus seguidores, ele mesmo tendo cargo na China feudal.

    Até o século XX, seus pensamentos, compilados no livro “Os analectos”, foram os mais influentes na cultura e na história chinesa. Pelas mudanças que o país passou, outros aspectos foram sendo mais incorporados à cultura. Entre eles, destaca-se o marxismo, filosofia e pensamentos político-sociológicos ocidentais, que surgiram no século XIX, se tornando mais influentes posteriormente. Não significa ter o confucionismo sido completamente abandonado, mas sim incorporado, colocado em outros planos. As questões de condução política colocadas no livro continuaram sendo vistas na China.

       Tanto tempo influente acontece também, e principalmente, pelo valor da obra, e pelo que o autor conseguiu perceber a respeito das relações entre indivíduo e relações sociais e de política institucional. Principalmente pela questão de ter achado como aquele que está nestes contextos pode e deve agir, dependendo do que ocorrer e daquilo que sai. Para Confúcio, algumas coisas importantes são saber observar os ritos e escutar bastante os outros, principalmente ter a capacidade de apreciar suas qualidades. Saber como agir com cuidado nas situações também é contemplado pelo mestre, mas com ação, alguém cuidadoso demais pode se tornar tímido. Foca em fazer com que o aprendiz saiba lidar nas situações políticas e como ter uma boa condução moral, a qual levará para que saiba fazer as ações, garantir seu cargo, bem como levar as situações para os lados as quais devem ser levadas. A fim de conseguir isto, existe uma série de posturas e de ações, bem como fatos e ideias, que levarão para lá, garantirão que assim aconteça.

        A filosofia política confucionista é considerada bastante conservadora, por dois fatores principais. Primeiramente, pelo enfoque moral dado pelo autor, bem como a hipervalorização da relação moral e política, vendo a segunda como uma extensão da primeira. Faz, junto, com as reflexões, uma série de apontamentos em relação à moral e personalidade que trazem aspectos conservadores. Como o respeito aos pais, por exemplo. Coloca a necessidade de que aquele que participa das questões políticas tenha respeito aos pais no sentido porque indica que terá capacidade de conduzir os problemas, terá boas relações com os colegas. Mesmo sendo associado com uma conduta astuta e eficiente, mantém uma maneira de conservação baseada em princípios familiares, dizem. Pode ser verdade, ainda que dê para associar mais com a sabedoria e bom senso do que propriamente com uma moral, pois indica alguém que sabe conduzir e reagir nas situações diversas que vão aparecendo.

      Portanto, pelas associações feitas por Confúcio entre ação pessoal e política, o autor se tornou vasto e fundamental para ver as entranhas e algumas das realidades mais profundas desta atividade humana, um animal político. Algumas leituras de seus analectos, o põem como uma figura religiosa, bem como o fundador de uma religião, o Confucionismo. Mas não há qualquer sentido verdadeiro nesta afirmação. Essencialmente porque, inexistem questões religiosas transcendentais de qualquer natureza na obra ou filosofia do mestre. Trata-se mais de um código de conduta ou de pensamentos sobre ação em contextos determinados, ainda que sejam extremamente complexos. Entretanto, consiste numa filosofia e doutrina fechada em si mesma, com uma maneira e um ser completo. Fala sobre a China antiga, as relações sociais feudais da época, mas continuou relevante posteriormente. Principalmente no país de origem, tendo sido adotado como principal livro por várias dinastias chinesas. Seus conselhos e ideias influenciam até hoje, falando sobre o ser humano. Não é perfeito nem coloca a política ou os humanos em completude, mas diz muito sobre. Seus conselhos visam muitos dos aspectos necessários para condução, garantindo que sejam vistos detalhes nas condutas e profundidades humanas grandes. Os conselhos do mestre ainda têm valor, mesmo tendo vivido em 500 A.C.      

 












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