Terça-Feira, 17 de Setembro de 2019

Dhian Carlos Thierizi

Dhian Carlos é um jardineiro iniciante.

Ver todas as colunas

Dias Definitivamente Ruins



Os dias andavam ruins, definitivamente ruins. Havia caspa por toda parte, meu joelho e dentes doíam e eu mijava um amarelo estranho por causa dos anti-inflamatórios.

Nas ruas, jovens embebedavam-se com refrigerante e vodca barata.

Era o fim de tudo. Tudo estava bem encaminhado e eu relutava para sair da minha casa.

Quando saía, meu estômago revirava quando deglutia o lamento desesperado desse mundo e a direção patética que esses vermezinhos ditavam para suas vidas: roupas, danças e músicas escabrosas. O pequeno exército moldado em fôrmas de merda. Eles estavam estuprando coletivamente a sociedade. Nós não estávamos reagindo. Seus pais e mães agradeciam a ausência. Só assim teriam a tranquilidade necessária para transar e assistir novela.

Era pior durante a noite. As praças ficavam infestadas. De genuíno, restavam apenas os mendigos esmolambados e suas desgraças. Eu queria muito que os seres humanos fossem substituídos por cachorros. Ou que os cachorros fossem tão violentos a ponto de comer todos os seres humanos do mundo. Talvez pudessem deixar de lado os mendigos. Talvez tanto os cachorros quanto os mendigos já estivessem planejando essa revolução.

Quando eu trocava as ruas pelos bares, encontrava menos repugnância e mais tédio. As mulheres gostavam de usar meia-calça até por baixo de suas almas. Também usavam um tipo de blusa folgada (onde um dos ombros aparece por inteiro) e bolsas pequenas. Os homens, camisa polo. Todos davam a impressão de serem idiotas. Todos davam a impressão de serem felizes.

Até hoje ainda penso que essas pessoas nunca cagaram, ou nunca precisaram cagar. Pareciam bonecos de cera superdesenvolvidos. Feitos para a vida da instantaneidade. Quando as musiquinhas pseudointelectuais começavam a tocar, havia uma transplantação de surpresa do olhar para o sorriso e logo após vozes em uníssono. Às vezes era o refrão, às vezes o início, às vezes era a porra toda.

Eu deveria ter ficado em casa. Porque os dias andavam ruins.

Ficava triste por todas as cervejas e uísques, que jamais puderam e poderão escolher suas companhias. Seria injusto não pensar o mesmo para a Coca-Cola e a vodca barata.

Sempre que voltava dos caminhos que não deveria caminhar, sentava na calçada em frente a minha casa. Na maioria das vezes era tarde e toda aquela tristeza ainda continuava lá.

Esperava algum tempo. Tinha esperança que os cachorros e mendigos começassem seu plano revolucionário. Não começavam. Ficavam desligados entre sacos de lixo, pães, pingas, toucas, mosquitos, remelas, barbas, línguas, moedas, bernes, semáforos, papel alumínio e feridas. Feridas na alma.

Na luz da varanda, pequenas aranhas destroçavam insetos curiosos.

Do meu lado, uma pipoca doce era abraçada pelo desespero de um rato.

Não demorava a entrar em casa.

Ligava o notebook. Começava a escrever.

Caspas caiam nos meus ombros e deslizavam para o teclado.

Dias definitivamente ruins.

 

 

 

 

 

 










Imóveis em São Roque

Apartamentos

Áreas Industriais

Casas

Chácaras

Comercial

Condominios

Fazendas

Haras

Sítios

Terrenos

Anuncie seu Imóvel

Além de consumir o serviço de Aluguel de louças para festas.

Quando se pensa na realização de um evento social, seja ele uma festa familiar ou uma recepção empresarial,Aluguel de louças, a preocupação com a aquisição dos pratos, talheres e outros equipamentos a serem usados é grande. Além de consumir bastante tempo, o custo e a logística de obtenção dos mesmos é significativa.

Aluguel de louças para festas Moema, a preocupação com a aquisição dos pratos, talheres e outros equipamentos é significativa.



Dogus Comunicação

Sobre a Dogus Comunicação  |   Política de Privacidade  |   Receba Novidades  |   Acesse pelo Celular

Melhor Visualizado em 1200x900 - © Copyright 2007 - 2018, Dogus Comunicação. Todos os direitos reservados.