Terça-Feira, 18 de Setembro de 2018

Denise Corrêa

Graduada em Comunicação Social pela Universidade de São Paulo, pós-graduada em Psicopedagogia.

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E agora? Não sou mais bebê!



O primeiro ano de aprendizado de uma criança, na maioria das vezes com seis anos recém completados, é sempre assustador e difícil para os pais, professores e, principalmente para as crianças.

O modelo de sala de aula que temos no ensino tradicional simplesmente não atende as necessidades das nossas crianças, nos dias de hoje. Esse modelo baseia-se em agrupar crianças de acordo com suas faixas etárias, porém com conteúdos e histórias de vida diferentes, torcendo para que eles captem algo da matéria explanada, ao longo do caminho.

O mundo está mudando num ritmo cada vez mais rápido, mas as mudanças no nosso sistema de ensino, quando ocorrem, apresentam um movimento muito lento e muitas vezes na direção errada, ocasionando problemas e confusões... E nesse confuso mundo de mudanças, encontra-se a nossa criança de seis anos, a criança do primeiro ano do ensino fundamental.

As brincadeiras mudaram. Agora ela precisa ler. E quando não consegue? A criança de seis anos não tem o entendimento necessário para compreender porque tem mais dificuldades para aprender. Porque o seu tempo de aprendizado é diferente do tempo do seu amiguinho. O fraco desempenho provoca sofrimento, fere a confiança e a autoestima da criança. A criança sofre, os pais sofrem, os professores sofrem.

Quando recebo uma criança para avaliação, eu sempre questiono: "Você sabe porque está aqui?". As respostas sempre me preocupam: "Sempre chamam minha atenção na classe, presta atenção, fica quietinho" ou "É que eu não aprendo as letras" ou "Meu amigo já sabe ler, eu não". Estamos falando de uma criança de seis anos, que acabou de sair do parquinho, que está em uma fase conturbada de mudanças e novidades.

Não, a criança de seis anos não sabe ler e quem disse que deveria? O nosso sistema de ensino solicita que a criança seja alfabetizada no primeiro ano.



Vamos lembrar quais as características dessa criança de seis anos. Vocês já ouviram falar em "adolescência infantil"? Uma fase de mudanças, que acontece com a maioria das crianças na idade de seis anos, umas mais perceptíveis, outras menos. É uma fase de transição, que já merece um olhar cuidadoso. A criança passa por conflitos, dúvidas, mudanças de comportamento e novas posturas a serem adotadas.

É a fase em que ensinamos muito e exigimos muito, afinal, "Ela não é mais bebê!". Mas nós, adultos, não percebemos o imenso conflito dessa criança, ainda sem maturidade para tanta novidade! E no meio das novidades, aparecem as perguntinhas: "Você já sabe todas as letrinhas?", "Com que letra começa o nome da mamãe?", "Mas você ainda não sabe escrever seu nome?". Socorro!!!

É só o início do ensino fundamental, ela ainda não sabe ler ou escrever, mas aprenderá! O estímulo é necessário, mas o resultado obedece o tempo de cada criança. Não se desespere se o processo de alfabetização do seu filho segue em um ritmo mais lento. É o tempo dela. Respeite-a. Ela não precisa acertar sempre. Lembre-se que ela está em um processo de aprendizagem e mudanças.

"Não use a obrigatoriedade, mas permitam que a educação inicial seja uma espécie de diversão; isso facilitará a descoberta da inclinação natural da criança." (Platão)

Há toda uma arte, há sempre um novo olhar, um novo "jeitinho" para ensinar os nossos pequenos a voar e o tempo certo do aprender.

Denise Corrêa - Psicopedagoga e Tutora Educacional
Graduada em Comunicação Social pela Universidade de São Paulo, pós-graduada em Psicopedagogia.
Fone e Whatsapp: (11) 99464-3749












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