Quarta-Feira, 18 de Maio de 2022

Thiane Ávila

Estudante de comunicação social, já atuou como professora de Língua Portuguesa e Inglesa. Seu gosto pela escrita foi percebido e trabalhado desde muito cedo, levando-a a, hoje em dia, manter um blog pessoal com postagens regulares de textos autorais.

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Fio tênue entre lembrar e esquecer



O tempo fabuloso dos começos constantemente subjuga as reticências do passado. As desimportâncias vitais ao hoje já estão acostumadas com o desdém da soberba. A emancipação dos fatos procriados pelo simples levar orvalhado. Por uma sentença independente de nascimento.

Todos os esforços despendidos à recuperação das lembranças são indícios de que a vontade de esquecer venceu, embora camuflada entre as dissidências da mente. Não há conformação disforme com as ideias. Qualquer comportamento é uma simples resposta a estímulos recebidos. Somos um maquinário de revide.

Abastada de luz e clareza, a asa que orienta o pouso e a estada é um reflexo ofuscado de uma memória mal feita se lembrada. Forçada se esquecida. O levar dos dias exige um mínimo de desapego às desnecessidades, conquanto o supérfluo seja guarnecido de enternecimentos que acariciam a existência em dosagens viciantes. 

O tempo não para e ainda passa-se correndo por ele, deixando às lembranças a poeira da passagem. O fio tênue que distancia a tentativa de mantença e a brisa dos fatos é formado por desenterros ociosos e virais, cheios de superficialidade e contextura. São os passos dedilhados. Os cabelos esvoaçantes pelo toque do silêncio. 

Então, pois, a vida trata-se de uma caixa de fundo falso, propensa às maiores ilusões e catástrofes. Emolduradas pela cintilância barulhenta de um resplandecer alvo de recordações, camufladas ou não pela premência do desapego. De configuração inerente ao ocaso. Relida outrora por passagens vis e agregadoras.

Enquanto houver saliência de desventuras combinadas com invenções salutares de constelações que deem sentido a qualquer coisa, haverá a memória esquecida. O esforço vão da restauração do que já não existe ou já não pode mais existir. O paradoxo da procura consiste em negar o que já se afirmou, ao passo em que o não dizer o que se pensa já foi precedido pelo pensar em dizer. A vontade desmente a ação.

 

THIANE ÁVILA.












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