Quarta-Feira, 18 de Maio de 2022

Pedro Fagundes de Borba

Estudo ciências sociais na Universidade do Vale do Rio dos Sinos; escrevo para portais; me chamo Pedro Fagundes Borba.

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Gaúchos e farrapos



      O gaúcho é o tipo cultural e social mais lembrado e cultuado no Rio Grande do Sul. Heterogêneo, sua imagem e caracterização vêm desde o século XIX, quando ainda era um tipo social real, posteriormente tornado peão de estância, mas com cultura relacionada, se cristalizando a partir de 1948, com a fundação do Movimento Tradicionalista Gaúcho e seu centro de tradições. O movimento impôs, descreveu e fez uma síntese das características básicas da imagem do gaúcho e de seus principais traços culturais.

     Tendo sido um tipo social um tanto difuso, caracterizado essencialmente por sua miscigenação e laços sociais mais frouxos, ainda que não ausentes, foi mais forte na Argentina e Uruguai, mas também existente no sul do Brasil. Vivendo sob várias características culturais e serviços, no RS, os mais marcantes foram tropeiros, surgiu esta identidade difusa sobre tais miscigenados. Raros negros havia entre eles, devido à forte escravidão do Brasil, mecanismo político determinante para a vida do escravizado.

     Neste contexto, esta identidade foi se mantendo através do reconhecimento e cultivo de tradições, muito especialmente o churrasco gaúcho e o chimarrão, duas marcas fortes da identidade gaúcha, formada pelo tempo e pelas políticas também. Hábitos, costumes, danças e vestimentas também estão registradas e colocadas, embora tenham uma profundidade identitária menor com a alma gaúcha. Em termos políticos, os gaúchos também são bastante associados aos farrapos separatistas do século XIX, por uma série de fatores complexos.

       Tendo feito um projeto de república um tanto quanto questionável e com intenções seriamente duvidosas, os estancieiros que a organizaram e a executaram tinham como intenção uma criação de república baseada em lemas franceses, na verdade associada a interesses particulares das estâncias. Ainda que tenha algum valor como experiência republicana no Brasil, mesmo carregando vários traços brasileiros em sua forma, não é necessariamente gaúcha.

         O gaúcho, como ser errante do Uruguai, Argentina e Rio Grande do Sul, é alguém que anda com suas características, percebendo o que faz ou não sentido naquilo que vê e enxerga, entendendo o mundo e a vida a partir disto. Tendo suas bases culturais, mas sendo curioso e maleável para saber o que não entende, o gaúcho toma seu chimarrão enquanto observa o mundo. E vê os farrapos como parte da história, às vezes sendo por eles convocado a guerra, às vezes vendo sua curiosidade com relação a eles.

    

 












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