Quarta-Feira, 18 de Maio de 2022

Pedro Fagundes de Borba

Estudo ciências sociais na Universidade do Vale do Rio dos Sinos; escrevo para portais; me chamo Pedro Fagundes Borba.

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Incoerências integralistas



    No contexto mundial de sentimentos nazi-fascistas, surgidos antes, mas tendo sua força máxima durante as décadas de 1930 e 1940, diversos movimentos, em vários países criaram partidos ou correntes políticas que pregavam discursos de ódio e intolerância para com algum grupo social ou algum tipo de chaga. Mesmo no Brasil, o suposto governador provisório Getúlio Vargas flertou e até mesmo tomou medidas que lembravam tais movimentos. Apesar, por sua astúcia política, não os aderiu com tanta força, usando também bases populares para seu governo. O destaque do movimento fascista, no caso brasileiro, foi a ação integralista brasileira.

    O grupo, tornando partido político, foi criado e liderado por Plínio Salgado, grande admirador de Hitler e Mussolini. Plínio falava sobre o ser humano integral, entre muitas voltas. Falava em um nacionalismo torto e mentiroso que buscava uma raiz indígena que não existe no Brasil. Os brasileiros, exceto os índios, não possuem esta fonte, no máximo algum grau de miscigenação. Na questão miscigenada, entretanto, o que ainda poderá ser é conexão com a realidade das etnias indígenas, por laços familiares.

    As medidas nacionalistas do integralismo eram inconsistentes, por pregar uma realidade brasileira indígena integral baseada numa pureza da realidade e origem nacional, ao mesmo tempo em que admiravam movimentos de intolerância, ódio e exclusão da Europa. Além, também se baseava em uma associação destes com indígenas, como se fossem assim também.

     Com esta base falsa, se falava, talvez, o ponto mais delicado e perigoso do pensamento integralista, que está em seu nome, isto é, a integralidade pregada. Bastante associada com o cristianismo, inclusive pensando indígenas nacionais como cristãos naturais, em tons extremamente racistas. Não apenas seus tons, mas os pensamentos e as ideias defendidas também eram racistas. Em tese, pregavam um ser integral sem qualquer coerência, usando esta imagem como exclusão para outros grupos, como os fascistas e nazistas.         

       O tom e os pensamentos, apesar de excludentes, anacrônicos e baseados em um nacionalismo irreal, atraíram consideráveis adeptos da intelectualidade brasileira. Entre eles, Abdias do Nascimento, João Cândido, Vinícius de Moraes e Helder Câmara. Todos estes saíram depois. Helder Câmara cresceu seus trabalhos católicos, se associando também com a esquerda. Vinícius saiu também, décadas mais tarde mudando vários de seus pensamentos e concepções. Abdias percebeu o racismo da ação e saiu se tornando importante teórico do racismo e condição negra no Brasil. João Cândido, já histórico pela Revolta da Chibata, saiu, mas manteve amizade com Plínio. Este, com a queda do integralismo, seguiu carreira política. Continuam existindo, seu mais famoso ato recente tendo sido ataque de molotov ao prédio da Porta dos Fundos, no natal de 2019.

        Um dos perigos do integralismo, que também está presente no nazismo e no fascismo, está no seu nome, à sensação de integralidade. Esta ideia remete a uma série de conceitos e ideias herméticas que remetem a uma ideia, visões de algo fechado, conectado diretamente a uma suposta compreensão suprema, que é inexistente. Nisto, certamente, se equivoca e se professa ideias erradas, levando a ver as coisas de maneira torta e equivocada também. O integralismo é irreal, fazendo com que nos percamos em nós mesmos. Passamos a cegueira, não conseguimos ver as coisas, parecendo outras. Tal sentimento é incapaz de interpretar as coisas, ficando errado, mas parecendo certo. Em tempo, integralista não corre, voa.

 












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