Domingo, 15 de Dezembro de 2019

Suzi Barboza

Susy Barboza é escritora, poetisa e compositora e quer compartilhar pensamentos

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Inocencia



      Tenho um chão nessa terra que dá mesmo é suor e do sol meio dia que entontece é melhor nem falar. Só faz frente à Maria que põe fogo nas noites e enche o meu coração de alegria depois das bicadas na venda e da prosa em vão.

       Mas foi justamente num desses dias que revolta o peão que pensei - vou embora, não aguento mais não. Mas a maria tá prenha, não demora o rebento chega trazendo a razão de viver. Só se ela morrer na hora do parto... aí eu vo mesmo deixando um pedaço do meu coração enterrado junto dela com toda ilusão.

       Não entendo porque penso tanta besteira... deve ser a mistura da aguardente e poeira na cabeça de um cabra burrão, que não tem instrução e nada sabe fazer. Maria disse outro dia que largando a cachaça o pensamento ruim passa. Não liguei muito não...

       Estendi minha rede amarrada num tronco que parede não aguenta e arrebenta, o tombo não é pouco não. Me deitei e dormi e sonhei, pesadelo desses que é muito feio, vou contar pra voce;

       Tinha um mundo de gente que entrava nas bocas de um bicho cumprido e depois vomitava e corria fugido pela arte que fez. Uns diziam que chamava metrô mas era bem grande. Engraçado as palavras não explicarem o que é certo... Sertão, por exemplo deveria dizer que é um certo bem grande, mas aqui no meu sertão tá tudo tão errado que eu nunca vou entender. Pela falta de instrução é que mais padeço...

Mas, voltando pro sonho... Era gente de todo tipo e cor, do mundo inteiro, que corria e voltava, igual formigueiro. Um negócio que acendia e chamavam de isqueiro, punham fogo no cachimbo e queimavam umas pedras. As pessoas fumavam e ficavam mais lerdas; outra vez era a erva... Tinha umas moças bonitas que chegava a dar um nó quando eu via. é que tanto frio fazia que eu não entendia porque não se vestia mais roupa. Tive tanta dó que tirei a camisa pra cobrir uma só. Não sei porque ela desatou chorar, me chamou de inocente (pelo menos eu tava vestido, decente) e ela devolveu a camisa. Porque ela chorou? Vai ver não gostou, mas era só uma que eu tinha.

       Achei interessante que formaram uma roda (mas sem cantoria), não tinha viola nem estrela no céu.De repente euforia, corre tudo pros lados quando chegou os soldados. Tudo armado e nervoso e atirando no povo que eu vi. Era tanto desgosto que também não entendi porque aqui no sertão só se mata quem não vale tostão e no meio da festa que fazia o povão devia ter alguém que presta... sei não.

 Logo vem pro meu lado um daqueles soldado, só senti o sopetão, me empurrou pra dentro do camburão que é parecido com os carro que leva os morto. Pensei que era o fim, mas não. Despejaram todo mundo numa cela apinhada de gente e só deu confusão. Bem que eu quiz explicar: - Olha, eu sou o João - mas ninguém quiz me ouvir. (documento tenho não Senhor).Cheguei a jurar pelo Padim que dessa vez não me valeu...

      Fiquei nessa cela essa noite e deu o que fazer pra conter tanto povo e maldade à valer. Tinha uns mal encarado que queriam bater, outros meio tarados que voce sabe o que eles queriam fazer... Foi um Deus nos acuda até o amanhecer. Quando a fome apertou me puseram na rua e sai caminhando e pensando em que rumo tomar. Começou a chover. Para minha alegria era tanta água, tudo que eu mais queria na minha terra. Só que o chão não aceitava, não absorvia e os buracos em vez de engolir a água, devolvia e o volume crescia....

       Já não dava pra andar e não tinha um lugar onde a água não ia enquanto as ruas sumiam e eu tentava nadar. Respirar?? não podia. Isso era afogar?

       Acordei assustado e de medo eu tremia. Tava todo molhado (se urinei foi de medo mas isso é segredo, não convém comentar). 

       E foi esse o meu sonho e desde esse dia eu não rezo direito de medo que a chuva caia inundando as pessoas do mundo.

       Deve ser castigo por tanta maldade que eu vi no povo daquela cidade. Maria disse que aqui no sertão deve ser todo mundo bom, tanto que nunca chove e, se o cabra for bom de coração vai morrer de velhice ou de fome. De água não. A vontade que eu tinha de sair do sertão já passou, obrigado. Na cidade?  vou mais não e nem quero esse povo invadindo essas terras pra querer ajudar... só traz maldade e confusão. Deixa assim que tá bom...










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