Terça-Feira, 17 de Setembro de 2019

Dhian Carlos Thierizi

Dhian Carlos é um jardineiro iniciante.

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Melhores horas desses dias que não merecemos - Parte I



–Ceariba, vou depilar os pelos do peito.

–Ooooxi! Por que você não depila o zóio do porco também?

–O toba não, mas o saco eu depilo. Tá lisinho, quer ver?

–A única coisa que eu quero é o teu cu e uma passagem pra Paracuru, seu fio da muléstia!

–Oloooco! Tamanho de ignorância!

–Se eu fosse bombado, também depilaria, Ceariba.

–Você é outro baitola!

–Favorece a imagem. Assim como depilar lá embaixo dá a impressão que seu tomahawk é maior. Mas sou magrelo, deixa pra lá... Quem eu pareceria? O Mick Jagger da jardinagem?

–Eu não sei quem é esse cabra, mas menino, faça isso não! Depilar não é coisa de homem e nem coisa de Deus...

–Ahhh Ceariba, ouvi falar que Deus se arrependeu de ter criado o homem...

 

A hora de almoço é assim. Intrigantemente humana.

O doce dentro do inesperado. O inspirador, a vingança.

Mas começa muito antes.

Manhãs. Todas elas sem nenhuma manha.

Anonimato. Exercício diário e engrandecedor.

Dor, feiura e sujeira motivando o cuidado com o saudável, belo e limpo. Vez ou outra, o supérfluo também.

O inferno tomando conta do céu. Diabos seduzindo flores, terra, grama. Diabos aguando, carpindo, plantando, rastelando, aspirando.

Diabos e suas caras vermelhas parcialmente felizes com seus celulares que tocam música sertaneja.

Mãos ressequidas. Unhas sufocadas.

Calos gigantescos. Gigantescas montanhas de incalculáveis experiências.

 

Ceariba, caolho, que nasceu no Ceará, mas que antes de vir pra São Paulo, também morou na Paraíba, me indaga:

–Diego, você acha que nóis, com essas mãos lascadas, conseguia pegar essas moça com silicone?

–Como assim? E Diego é meu primo.

–Ah, eu esqueço o seu nome. Eu tava vendo essas bichinha na TV. Diabéisso? Nossas mão ia estourar tudo, não ia? Ia riscar, arranhar... Vazava tudo.

–Ceariba, eu não sei. Nunca peguei uma dessas. Pra mim só pagando e nesse momento não posso pagar. Mas esse trem deve ser resistente né? É caro pra caraio...

–Sei não. Eu já acho que essas coisa deve ser delicada de mais. A gente não saberia lidar não.

–Acho que não sabemos lidar com nenhuma, de qualquer tipo...

 

10 horas da manhã.

Eu, enxada. Sol que deixa a cabeça inchada.

Ele, rastelo e seus dentes que eliminam a sujeira. O corpo cansado por causa do rastelo e que anseia pela comida que suja os dentes.

 

O Jardineiro de cabelos do peito futuramente depilados, volta esbravejando:

–Esse cara da ronda é um filho da puta mesmo!

–O que houve? -perguntamos eu e Ceariba, a poucos segundos de uma risada.

–Ele me pegou pulando a cerca que faz divisa com essa mata dos fundos e me proibiu de cagar.

–Viu só fio? O pessoal quer mandar até no nosso cagadô. –respondeu o Ceariba, mostrando revolta mesclada com um sorriso de buldogue.

–Mas o que aconteceu exatamente? –perguntei sabendo que o melhor estava por vir.

–Ele queria saber aonde que eu ia. Eu disse que ia dar uma cagada. Aí ele disse que a mata é propriedade do condomínio e que eu não podia entrar lá sem autorização. Aí eu disse que tinha que cagar e perguntei onde mais eu poderia fazer isso. Aí ele me disse que eu poderia fazer na minha casa, mas ali não. Aí eu mandei ele se foder e disse que ele não sente vontade de cagar porque passa o dia inteiro com o rabo fincado num banco de moto. O ronda de Honda! Filho da puta!

–E então? –perguntei ansioso pela conclusão.

–Ele pouco ligou. Ficou me olhando. Eu, com um pé na quiçaça e outro no condomínio. Não saiu de lá até que eu saísse também.

–E você falou? -perguntou Ceariba.

–Falei o que?

–Que além de cagar cê usa o cu pra outra coisa...hahahahahaha

–Eu e os meus doooooois olhos não vimos graça! Seu cabeça de moringa do cacete! –finalizou o Jardineiro, exagerando na dose de humor negro.

 

Com a bosta pronta, mas enfrentando essa curiosa forma de repressão, o Jardineiro pegou a roçadeira.

Quase 11 da manhã e havia um considerável gramado esperando para ser roçado.

Suspirou, olhou pra mim e disse:

–Puta que pariu! Desde quando o verde deixou de ser esperança?










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