Quinta-Feira, 24 de Setembro de 2020

Victor Barboza

Victor Barboza é fundador da GFC - Gestão Financeira Criativa e atua com Educação Financeira e Gestão Financeira de pequenos negócios

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O Caso Bettina - parte 2: os investimentos de Gabriela Pugliesi



Você deve se lembrar do caso Bettina. Caso não se lembre, estou falando daquele anúncio que viralizou no Youtube no ano passado, feito pela casa de análises de investimentos Empiricus, que tinha como garota propaganda a Bettina. O vídeo começava com: “Oi. Meu nome é Bettina, eu tenho 22 anos e 1 milhão e 42 mil reais de patrimônio acumulado”.

Bettina disse ter transformado R$ 1,5 mil em R$ 1,042 milhão em três anos. O vídeo acabou fazendo muita gente se questionar como seria possível multiplicar o dinheiro com uma velocidade tão rápida e fácil. Ele acabou gerando uma série de críticas à Bettina e à própria Empiricus.

Repetir o feito de Bettina não é impossível, mas é muito improvável! Isto porque ele exige investimentos de elevado risco, o que torna a estratégia ser muito difícil de dar certo várias vezes. Conforme já trouxemos aqui no blog, os investimentos sempre funcionam em função da relação Risco x Retorno. Ou seja, quem deseja buscar ganhos elevados precisa estar disposto a correr mais riscos, o que, consequentemente, pode gerar perdas.

Só para você ter uma noção, com valores atuais de rentabilidades acumuladas dos últimos tempos, veja o acumulado de algumas aplicações, tanto conservadoras, quanto mais arrojadas, nos últimos 36 meses (3 anos): Caderneta de Poupança (7,88%), Tesouro Selic (11,56%), CDB 100% CDI (11,55%), Ibovespa (22,52%), Bitcoin (67,12%), Dólar (32,18%). Em três anos Bettina teve uma performance de valorização de 69.367%.

O economista Samy Dana fez uma simulação com a manutenção do crescimento falada no vídeo, e a Bettina (tinha 19 anos na época do anúncio), com 37 anos teria um patrimônio de R$ 157 quintilhões de reais!

O Efeito Covid

Se olharmos a bolsa de valores, ao longo do último ano, vemos um crescimento muito interessante, com recordes sendo batidas. Ao mesmo tempo, vimos o enfraquecimento da renda fixa, com os novos cortes da nossa taxa básica de juros, a Selic. Ou seja, os investimentos de menor risco, que sempre foram boas opções aqui no Brasil, acabaram desanimando muita gente, e, em paralelo, a bolsa de valores acabou chamando o interesse de muita gente, por conta das altas.

Porém, a bolsa de valores, representada principalmente pelo mercado de ações, é uma modalidade de renda variável. Em outras palavras, assim como os ganhos podem ser mais interessantes, as perdas também podem ocorrer, principalmente por conta do chamado risco de mercado. Em momentos de crises as quedas acabam sendo muito mais intensas.

E o cenário que ninguém esperava aconteceu. A pandemia do Coronavírus chegou assombrando o mundo todo, obrigando o fechamento de comércios, empresas e fronteiras, e, trouxe com ela, uma crise econômica. E o resultado disso: quedas acentuadas nas bolsas de valores no mundo todo.

Para você ter uma noção, na segunda quinzena de janeiro, o Ibovespa estava beirando os 120 mil pontos. Já no dia 24 de março, em decorrência da crise do Coronavírus, o mesmo Ibovespa chegou na casa dos 63 mil pontos. Isto representa uma redução de quase 50%!

Isto significa que as pessoas perderam dinheiro? Não! Só perdeu dinheiro quem vendeu suas posições, caso contrário, o investidor só estava vendo a variação dos preços nos seus papéis. Hoje, a bolsa vem caminhando numa recuperação, e está na casa dos 100 mil pontos.

Então você estar se perguntando: “mas qual o motivo das pessoas terem vendido suas ações?”. O que responde isso é o medo, a falta de educação financeira e a falta de um bom planejamento financeiro, com diversificação nos investimentos e reservas de emergências.

E claro, ver hoje estes números que já ocorreram é muito mais tranquilo. O problema é quem estava vivendo a situação quando tudo estava ocorrendo, sem saber até onde isso tudo iria, com o emocional à flor da pele. E, pior ainda, tinha gente com 100% dos investimentos atrelados à maiores níveis de risco, que acabaram tendo redução salarial, demissão ou redução nas vendas, e, acabou entrando num cenário da necessidade de resgatar o dinheiro aplicado.

Um caso marcante envolvendo operações de alto risco ocorreu em junho, lá nos Estados Unidos. O estudante Alex Kears, de 20 anos, que praticava o day trade (investimento com base na compra e venda de ações diariamente, a partir da análise de gráficos) cometeu suicídio após entrar na corretora Robinhood e ver que seu saldo caiu para US$ 730 mil negativos. O número era elevado por conta de parte das operações não concluídas. Mas o valor teve um impacto negativo tão grande que, infelizmente, ele acabou se matando...

O Caso Pugliesi

A influenciadora fitness Gabriela Pugliesi, que possui milhões de seguidores, acabou gerando muita polêmica, recentemente, inclusive perdendo diversos patrocínios, por conta de uma festa que ela deu em meio à pandemia. Ela chegou, inclusive, a tirar o seu Instagram do ar.

Algum tempo depois, a influencer reativou sua conta na rede social, e mostrou ter superado as críticas e a perda dos patrocínios por conta de uma “nova pegada”. No dia 24 ela postou alguns stories falando: “Estou operando na bolsa! Nunca na minha vida pensei que fosse fazer isso e amar”. Ela disse que acompanha uma plataforma de investimentos e que possui alguns mentores. E ainda disse: “Compro e vendo todo dia, faço tudo pelo ‘profit’ e já me dei bem, viu? Só ontem tomei um nabo do Banco do Brasil e ainda estou digerindo”.  

Seja por conta de um novo patrocínio, uma parceria ou até a busca por um novo nicho, nitidamente vemos que Pugliesi entrou na onda do trade. Até aí nenhum problema, porém a forma como isto é comunicado pode virar um problemão, não para Pugliesi, mas sim para quem seguir esta linha. O resultado pode ser o chamado “Efeito Manada”.

Mesmo com toda a repercussão negativa por conta da festa, Pugliesi conta com mais de 4 milhões de seguidores. Porém, cabe destacar que neste universo de pessoas, nem todo mundo vive a realidade da influencer. Esta, além de ter toda a assessoria e mentoria, possui um patrimônio que permite que ela separe um valor para fazer investimentos arrojados com certa tranquilidade. O problema está com quem seguir a influencer sem ter o suporte e as condições para poder correr tamanho grau de risco. Ou seja, entrar na bolsa de valores apenas porque viu que ela entrou.

Em outras palavras, só deve investir nesta categoria de investimentos, que, reforçando, possui alto nível de risco, quem, em primeiro lugar, estiver apetite para isto, ou seja, que suporta ver desvalorizações e perdas do que foi aplicado. Ao mesmo tempo, outros investimentos precisam existir na carteira deste investidor, para que a diversificação amenize os riscos. E, sem reserva de emergências, que deve estar em investimentos conservadores, e com estabilidade financeira é muito arriscado ir apenas pelo caminho de Pugliesi.

De acordo com um estudo divulgado pela FGV, para 20.000 investidores que adotaram a estratégia do day trade entre 2012 e 2017, 97% perderam dinheiro. Isto mostra que não há uma fórmula mágica para ganhar dinheiro de forma acelerada. É necessário correr riscos e estar ciente que existirão momentos de altas e de baixas.

Busque, ao invés de seguir a linha de “Bettinas e Pugliesis” da vida, em primeiro lugar buscar Educação Financeira. Ela lhe dará conhecimentos e ferramentas para um bom planejamento financeiro e te ajudará a tomar as melhores decisões sobre investimentos, de acordo com o seu perfil e com os seus objetivos.










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