Quarta-Feira, 13 de Dezembro de 2017

Vander Christian

Vander Christian é apaixonado pelo mundo da leitura e escrita. Autor dos romances KARINA e PASSADO E PRESENTE.

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O Outro Lado da Deficiência



 

Hoje, dia três de dezembro, é comemorado o dia Internacional Das Pessoas Com Deficiência. Assim como muitas pessoas por aí tenho vários amigos que são deficientes. Ser portador de alguma deficiência no nosso Brasil, infelizmente não é nada fácil. O nosso modelo de sociedade não contribui em nada para a acessibilidade e aceitação dessas pessoas. Mas isso não é nenhuma novidade, por isso, decidi escrever sobre a minha experiência, até certo ponto engraçada, de conviver com uma pessoa que não enxerga.

O bicho de sete cabeças que muitos imaginam quando se fala em conviver com um deficiente, pode, na verdade, não ter nenhuma cabeça; você acaba descobrindo o outro lado da deficiência, e algumas situações são até cômicas. Eu e o meu amigo Edson, por exemplo, quando estudávamos o primeiro ano do ensino médio, estávamos na biblioteca, acredito que fazendo uma pesquisa, não lembro direito, quando decidimos ir embora depois de algumas horas. Recolhemos nossos materiais e rumamos decididos para a saída da escola. Conversávamos alegremente durante o caminho de volta para casa. Só notamos algo fora do comum, quando avistamos a mãe do Léo, que estava de braços cruzados esperando o filho voltar.

—O Léo! – Gritei no mesmo momento que o Edson.

Pois é, esquecemos o Léo na escola. O Léo era o nosso amigo e não enxergava. Enquanto ficamos fazendo a pesquisa na biblioteca, o Léo foi conversar com uma professora sobre uma prova que teríamos no dia seguinte. Eu e o Edson esquecemos completamente do Léo quando fomos embora. E só lembramos que o Léo não estava conosco, quando vimos a mãe dele. Pensamos rapidamente numa desculpa para dizer a ela.

—O Léo ficou.

—Ficou?!

Dissemos para a mãe do Léo que nós, em nenhum momento, esquecemos ele na escola. O fato dele não estar ali conosco, era que decidimos fazer um teste, para saber como estava a habilidade do nosso amigo com a bengala, afinal ele precisava mesmo praticar o caminho sozinho de sua casa até a escola e vice-versa.

A desculpa foi boa. Quem não gostou muito foi o Léo, pois não existia teste nenhum.

Tivemos que aguentar a vingança do Léo tempos depois, quando ele nos chamou para tomar um suco e jogar conversa fora. Não teve suco, e tampouco jogamos conversa fora, ele nos chamou mesmo foi para mudar os móveis da sua casa de lugar.

Depois disso, iniciou-se uma espécie de disputa entre nós três. Zombamos do Léo quando ele e a sua esposa nos ofereceu um pote de sorvete e dentro tinha feijão cozido. Mas tivemos que aturar o Léo, mesmo sendo cego, nos guiando pelo centro de uma cidade que não conhecíamos. Até hoje aprendemos muito com ele. E ensinamos muito para ele também.

Enfim, quero dizer que se você tiver a oportunidade de ser amigo de um deficiente, seja. Não tenha medo. Ele também não terá medo de você. Ajude-o nas dificuldades do dia-a-dia. Brinque com ele; brigue, se for necessário. Viva com ele.

 

Para saber mais sobre os Deficientes Visuais acesse o link do meu livro KARINA, que conta a história de uma jovem mulher que perde a visão, vítima de um trágico acidente. Um dramático processo de reabilitação é marcado por um romance singular entre Karina e Jéferson, seu melhor amigo.

 https://www.amazon.com.br/dp/B076GM4RHR

 

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