Sexta-Feira, 26 de Abril de 2019

Thiane Ávila

Estudante de comunicação social, já atuou como professora de Língua Portuguesa e Inglesa. Seu gosto pela escrita foi percebido e trabalhado desde muito cedo, levando-a a, hoje em dia, manter um blog pessoal com postagens regulares de textos autorais.

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O retrato que me faço



São escabeladas as partituras dos meus versos. As ranhuras incrustadas no vão das esquinas em mesas de lua cheia refazem todo o requinte esperado de uma noite para não brindar. As portas abertas para a madrugada massageiam algumas culpas omissas de saudade. Um retrato enviesado de qualquer coisa que, acompanhada da velha e boa cerveja, ganha a coragem dos bares à luz dos encontros.

O rosto caricato do retrato pendurado em minha parede é um afronte àquele dos espelhos das ruas. Uma covardia à desvirtude dos amantes de trincheiras, tomados pelo nervosismo que as premissas da sugestão entregam aos olhos que se batem e se rebatem. Feito cortina mal fechada, de onde restam brechas aos vizinhos curiosos pelos barulhos sádicos de paredes sem isolamento algum.

O retrato que me faço é uma pintura sem talento de misturas embriagadas, nórdicas e abrasileiradas de uma tonalidade ora pálida ora corada. Cores que exalam o som de um samba antigo de desamores, adocicado com uma pitada de teimosia graças à queda escrachada por amores sem ocasião. A curadoria perfeita dos caminhos sem régua ou fronteira, enfeitados com as vontades mais inusitadas e indomesticáveis de uma paixão catatônica pelas pessoas.

Nas ruas, coloquei, expostos, alguns detalhes desconhecidos de mim mesma, embaralhados com os olhos e com a boca. Com o gosto quase indecifrável dos beijos tomados e que, já ansiosos, resvalam pelas prescrições daquilo que conhecem e se viciam. No fundo, como a poesia, nenhuma profundeza se entrega a quem a define. É por isso, quem sabe, que o retrato que me faço esteja mais alinhado com a sugestão instigante para os olhos que veem e que, se curiosos e igualmente imprecisos, conseguem reparar qualquer coisa não dita entre um gole e outro.

São as pessoas que não terminam seus retratos as que mais me comovem. O retrato que faço de mim é um rascunho arriscado de caneta e traços riscados. Uma bagunça de nomes escritos e apagados – embora haja casos em que não há corretivo que desperte o cansaço. Ninguém se exaure dos combustíveis que fazem a própria roda girar.

Por ora, então, dou-me por satisfeita em seguir pintando o retrato que me faço nos recreios dos dias, especialmente naqueles inconstantes das tardes de domingo. Compadeço com a falta de método em sublinhar os traços, sentindo total desconhecimento sobre os contornos que, nas expectativas, ouço enaltecidos sobre mim.

É preciso aceitar que, assim como quando começo a escrever e não sei onde o texto irá parar, igualmente não providencio os pincéis e os cenários do rascunho desenhado de mim. Ao contrário, prefiro a espontaneidade dos olhares que, entrecortados, me auxiliam e desvendar novas tendências. Em resumo, o meio do caminho é apenas um jeito mais acalentador de dizer que, a todo o momento, estamos mudando nossos finais.

 

 

 

THIANE ÁVILA.










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