Terça-Feira, 17 de Setembro de 2019

Dhian Carlos Thierizi

Dhian Carlos é um jardineiro iniciante.

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Papai do Céu já vem



Ela havia me chamado de anjo.

Eu estava mal naquela época, precisava de afirmação.

Gostei daquilo. A mulher da minha vida me definiu.

Foda-se então! Definitivamente eu era um anjo. Talvez um anjo novato, mas um anjo.

E um dos modernos: tatuado, sem aquela besteira de mostrar as asas, sem o branco peculiar.

Estava na cara que fazia milagres também.

Eu queria muito mostrar isso para ela - tinha extrema certeza que poderia fazer algo espetacular.

Empurrei-a da sacada e pulei atrás. Pensei que poderia pegá-la nos braços a qualquer momento. Imaginei seu espanto e, por conseguinte, aquele sorriso seguro e sexy.

Imaginei-a dizendo "nooooooosa, como você fez isso?". Nesse momento aumentaria a velocidade do vôo para que seus cabelos balançassem mais e mais.

Queria sua boca ressequida para inundá-la com meu beijo. Quem sabe até aquele beijo de ponta-cabeça do cinema.

Cansados e famintos, passaríamos no Macdonalds e por horas em algum parque, faríamos juras de amor eterno.

Viveríamos nosso conto de fadas contemporâneo. O anjo fodão e sua namorada.

Nada disso aconteceu: ela despencou rápido, mal pude enquadrar-me no mesmo patamar. Vociferei em desespero algumas palavras mágicas. Continuamos caindo.

Por um momento pensei que o RH do céu tinha fodido comigo. Alguma advertência ou similares. Algo que tenha tirado meus poderes.

Havia esquecido a minha folga? Será que estava de folga? Será que anjos de folga perdem os poderes?

Com os policiais não funciona assim.

A gente se estatelou!

Quando acordei, ela já estava de pé. Continuava com a mesma roupa, limpa. Eu estava de branco. Isso me tranquilizou. Havia me transformado?

Imaginei que apenas sofreria um castigo. Deus fez com que estralasse minha cara no asfalto para mostrar que aos anjos cabe apenas a discrição e não voos panorâmicos ou qualquer outro ato carnavalesco. Minha namorada teria que jurar segredo a respeito do romance com um ser celestial.

Eu pediria desculpas por ter sido tão cabaço e desconhecer o estatuto base. Ela juraria manter o segredo.

O puxão de orelhas seria dado pelo mestre e voltaríamos a Terra para viver tão pitoresco amor.

Levantei-me.

Tentei beijá-la. Ela esbofeteou minha cara e me chamou de filho da puta. Perguntou como eu tive coragem de fazer tal monstruosidade.

Tranquilizei-a. Explanei os pontos. Dei aquele sorriso malandro.

Ela se acalmou. Como não poderia se acalmar? Havia caído do 13º andar e continuava linda.

A pequena estrada na qual estávamos terminava poucos metros à frente, em uma porta branca. Tinha um cara vestido de branco escorado nela. Era branco pra cacete e isso trouxe paz ao meu coração.

O sujeito tinha um rosto perfeitamente delineado, cabelos lisos penteados para trás, olhar imponente e dentes que serviriam para um informe de pasta dental.

Iniciei a conversa.

-Eu quero falar com ele.

-Com ele quem?

-Com Deus. Fiz uma cagadinha e suponho que ele me trouxe até aqui. Eu sou um anjo. Peço a gentileza que me deixe entrar ou que o chame para que possamos resolver isso logo e voltar para casa. Você não é o secretário ou o porteiro?

-Nenhum dos dois. Mas sei quem você é.

-Ah sim. O endomarketing é um recurso organizacional fantástico. É importante saber o que as outras pessoas são e fazem dentro do grupo.

-Você é um otário!

-Como assim?

-Você é um otário, sabe? Daqueles bem otariões!

-Escute aqui, o que te leva a me tratar de tal maneira? E ainda na frente da minha namorada. Que absurdo!

-Seu estúpido. Acabou de empurrar ela prédio abaixo e agora é a porra da Madre Teresa de Calcutá?

-Não, não. Não houve violência. Deixa eu esclarecer: ia fazer uma surpresa, sairia voando com ela nos braços. Acredito que Deus julgou-me irresponsável demais, nos deu esse susto, nos dará um feedback e boa.

-E boa? Você nem imagina o tamanho da linguiçada em que se meteu.

-Bom, sei da gravidade, mas isso não será você que julgará. Se já acabou com a arrogância e com as gracinhas, pode chamá-lo?

-Não precisa. Ele já vem. Vai levar sua namorada. Até pedi pra vocês dois ficarem comigo, afinal, ela também é culpada. Meu Deus! É muita inépcia envolver-se com um cara tão explicitamente xaropeta.

-Levar minha namorada? Pra onde?

-Como assim pra onde? Para o céu caralho! Você está morto. Ela está morta. Ela está salva, você está fodido.

-Eu pensei que aqui fosse o céu. Eu pensei que eu fosse um anjo.

-Aqui é aquele outro lugar. Aquele outro. E, repetindo, você é um otário. Se serve de consolo, aos sábados faço uma roda de viola e conto alguns “causos” de quando eu era anjo.

-Mas você está todo vestido de branco! Que palhaçada é essa?

-É que mais tarde tem festa a fantasia. Olha pra você meninão! Te providenciei uma. Bora lá curtir!

E você espere aí, minha querida, papai do céu já vem.










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