Quarta-Feira, 18 de Maio de 2022

Pedro Fagundes de Borba

Estudo ciências sociais na Universidade do Vale do Rio dos Sinos; escrevo para portais; me chamo Pedro Fagundes Borba.

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Partenon literário de Porto Alegre



    Na Porto Alegre do século XIX, surgiu o Partenon Literário, sociedade de literatura que, considerando o contexto social, também era voltada para questões e necessidades da sociedade brasileira, que cada vez mais ebuliam, na capital não sendo diferente. Seus membros mais importantes foram os irmãos Porto-Alegre, Aquiles, Apeles e Apolinário, Antônio de Caldre e Fião, Luciana de Abreu, Múcio Teixeira, Carlos Von Koserick, Júlio de Castilhos e Aurélio Veríssimo de Bittencourt. Além desta, no Rio Grande do Sul, existiram outras importantes sociedades, como a Sociedade Lomba Grande de Novo Hamburgo.

      Sua estética era muito voltada para representações literárias, bastante voltadas para valores humanísticos, com fortes aspectos e questões políticas relacionadas, muitos dos membros se tornando posteriormente peças importantes na constituição do Partido Republicano Rio-Grandense( PRR). No estado, desde aquela época, já se tinha bastante respeito e consideração pela Revolução Farroupilha, evento histórico que, em teoria, tinha como objetivo separar o RS do Brasil e fundar um país republicano, a República Rio-Grandense.

    Por seu valor e pensamentos republicanos, inspirada na Revolução Francesa, foi sendo vista regionalmente como uma expressão de revolução, de tentativa de mudança de governo no Império do Brasil, o segundo reinado. Assim como tiveram outras, em outros estados, esta foi uma expressão do pensamento da elite local. Foi, inclusive, em alguns períodos, ensinada em colégios como um evento republicano revolucionário.    

    Tomados por esta visão, tendo ideias republicanas, a sociedade foi sendo ativa e criada. Defendia o fim da escravidão, a emancipação feminina e a transição da monarquia para a república na sociedade brasileira, não apenas na Província de São Pedro do Rio Grande do Sul. Promovia isto em seus encontros e divulgações literárias, sendo bastante voltada para questões políticas, vendo a literatura como algo para isto.

      Não foi a primeira vez que o gaúcho era personagem literário na literatura brasileira, já tendo aparecido principalmente no romance de José de Alencar “O gaúcho”, que fazia parte do projeto romântico do autor. Por várias razões, esta figura já existia, sendo uma das manifestações tanto do imaginário popular, quanto uma imagem, uma síntese de diversas formas de pensamento, junto com personagens campeiros de outras partes do mundo. Mas ali ganhou mais forma, passando a ser visto como representante do estado, algo que sintetizava o ser, para onde a literatura convergia. O principal romance regionalista do grupo foi “O vaqueano” de Apolinário Porto Alegre. Posteriormente, iria aumentar, aparecendo desde o Grêmio Gaúcho de Porto Alegre em 1900, até a consolidação em 1947, com o CTG( Centro de tradições gaúchas).

        Ainda que sua qualidade literária seja considerada baixa, por não ter criado alguma obra que marcasse tão profundamente a literatura, teve bastante importância como centro cultural e movimentação de ideias políticas. Levantou temas que ainda não estão completamente resolvidos, alguns tendo até mesmo se reformulado, adquirido novas formas, como o posterior ao fim da escravidão e da emancipação feminina.     












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