Quarta-Feira, 18 de Maio de 2022

Pedro Fagundes de Borba

Estudo ciências sociais na Universidade do Vale do Rio dos Sinos; escrevo para portais; me chamo Pedro Fagundes Borba.

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Quando ele conta



O escritor, pelo menos alguns mais ligados a necessidades e características profundas de seu ser para escrever, possuem alguns pontos e ligações com eles mesmos e com o mundo que não podem ser bem explicadas, sequer entendidas, pois remetem a sensibilidades e formas muito profundas, muito densas. Às vezes conseguem ser muito bem sintetizadas em imagens, colocadas em formas e contextos variados que os representam sendo  outra coisa. Os que fazem tais imagens, muitas vezes as mais densas são geralmente poetas, fazendo seus versos, e com a precisão dos poetas poéticos, colocam as palavras a fazer com que o lido atinja seu ponto máximo cada verso uma expressão pesada por si própria. Charles Bukowski, com seu estilo caracterizadamente grosso e direto, mas profundamente ligado a beleza existente, típico dos escritores malditos, falou desta ligação que tinha, do que ele carregava, no poema “Pássaro azul”, onde mostra este sentimento.

    Tem um pássaro azul no peito que quer sair, mas é duro demais com ele, afirma. Vai falando esta frase ao longo dos versos, demonstrando seu peso e densidade, cada vez reforçada com palavras e versos novos, carregando a centralidade do significado. Cada vez, mostra como esconde este pássaro, e por que. Despeja whisky e fumaça de cigarro por cima, assim as putas, os empregados do bar e os funcionários da mercearia nunca saberão que ele está lá. Também fala não o deixar sair para não ter o trabalho fudido, não ter as vendas dos livros prejudicadas na Europa. Termina então contando que, em momentos da noite, quando todos estão dormindo, diz que sabe que ele está ali e que não fique triste. Põe de volta para dentro, ele canta um pouco lá, não o deixa morrer, dormem juntos, com o pacto secreto; o que seria suficiente para fazer um homem chorar, mas ele não chorava, para então questionar o leitor sobre.

    Tendo esta forte ligação com esta característica do pássaro azul, Bukowski entende a necessidade de falar disto, trazendo junto à beleza e a poesia envolvendo este momento, pois vai desenvolvendo e tendo esta característica conforme fala dos ocorridos, pois eles compõem a beleza, ali presente marcando com sua inconfundível e densa presença. Também mostra coisas sobre si, colocando as características do pássaro azul na maneira como age. Sendo um autor maldito, por causa da forma social como foi posto na vida, Charles Bukowski carregava a necessidade da literatura em suas formas mais básicas e profundas, o motivo que faz os autores e poetas realmente escreverem, viscerar algo dentro de si para colocar, uma necessidade que só que os que a compartilham conhecem. Escrevendo sobre, a mostra, coloca a poesia, fazendo ser perceptível, tangível o que fala e sente, mostrando as características do pássaro azul e a relação deste consigo.       












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