Quarta-Feira, 18 de Maio de 2022

Pedro Fagundes de Borba

Estudo ciências sociais na Universidade do Vale do Rio dos Sinos; escrevo para portais; me chamo Pedro Fagundes Borba.

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Realismo soviético



    Com o advento do pensamento socialista, tanto o científico de Marx e Engels quanto ideais socialistas que circulavam no século XIX na Rússia czarista, os problemas do capitalismo passaram a ficar mais visíveis quanto às suas estruturas, isto é, suas formas de desigualdade e problemas estruturais, aumentando tensões e ideias ao redor do mundo. Baseado nisto, e na extrema miséria e opressão existentes na monarquia absolutista russa, movimentos sociais contrários a esta passaram a surgir, organizados pensando no socialismo marxista, que se dizia científico. Formou-se então o bloco soviético, composto em seu território principal com a Rússia e territórios do leste europeu e norte asiático. Contou também com países que não eram parte da União Soviética, mas que o apoiavam como China, Cuba, Coreia do Norte e o Vietnã de Ho Chi Mihn.  

      Sendo um país de literatura imensamente admirada por leitores e escritores do mundo, a Rússia teve sua era literária dourada durante o século XIX, com autores que iam do romantismo ao realismo, peças da literatura mundial. Especialmente após a morte de Lenin, a derrocada do trotskismo na União e a ascensão da ditadura stalinista, o controle sobre a produção artística se intensificou. O estilo literário permitido, oficializado pelo regime, era o realismo soviético, também chamado de realismo socialista, que consistia em uma literatura que representasse a realidade, as opressões do capitalismo e do czarismo, em ordem de glorificar o socialismo, ou seja, a salvação que este teria sido. Prosadores, como Maksim Górki e Isaac Bábel, desde antes da revolução, ajudaram a consolidar este estilo, assim como o poeta Vladimir Maiakovski.

       Como a literatura, em sua forma maior, sempre busca representar aquilo que o escritor mais sente e pensa, tal como outras artes, grandes autores e escritos passaram a ser proibidos pelo stalinismo. O maior destaque nisto é, certamente, Dostoievski, gênio proibido por ser considerada expressão da burguesia russa reacionária, devido à grande psicologia de suas obras. Neste processo, Maiakovski se suicidou, Gorki foi envenenado e Bábel fuzilado, por fugirem das normas do realismo soviético. Tais atitudes e medidas demonstram tanto o talento literário e a força da literatura dos grandes autores, que falavam sobre problemas dos soviéticos, e por isso foram vistos como malditos, bem como a própria política com relação às formas de expressão, principalmente artísticas.

        O realismo soviético, que fazia associações com escritores realistas do século XIX, bem como com ideais e teorias surgindo teve seu valor artístico e seus grandes autores. Foi, em muitos sentidos, uma das formas de revitalização da literatura realista, que busca retratar a vida e as condições humanas, buscando demonstrar literariamente a realidade. Foi uma das grandes influências do romance de 30 brasileiro. Por sua forma artística foi visto como propaganda pelos bolcheviques, vendo o oposto disto ocorrer, levando a repressão. Um exemplo de política e literatura entrelaçada, uma em oposição à outra no fim.          












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