Quarta-Feira, 26 de Junho de 2019

Davi Junior

Davi Simão, 28 anos, publicitário, jornalista e especialista em Gestão de Marketing. Fã de animação japonesa e um entusiasta da cultura pop mundial desde que se entende por gente.

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Resenha: Beleza Americana



FICHA TÉCNICA

Título Original:  American Beauty
Gênero:  Comédia/Drama
Tempo de Duração: 121 minutos
Ano de Lançamento (EUA): 1999
Estúdio: DreamWorks SKG
Distribuição: DreamWorks Distribution / UIP
Direção:  Sam Mendes
Roteiro: Alan Ball
Produção: Bruce Cohen, Dan Jinks, Alan Ball e Stan Wlodkowski
Música: Thomas Newman e Pete Townshend
Direção de Fotografia: Conrad L. Hall
Desenho de Produção: Naomi Shohan
Figurino: Julie Weiss
Edição: Tariq Anwar e Christopher Greenbury

Elenco
Kevin Spacey
– Lester Burham
Annette Bening – Carolyn Burham
Thora Birch – Jane Burham
Wes Bentley – Ricky Fitts
Mena Suvari – Angela Hayes
Peter Gallagher – Buddy Kane
Chris Cooper – Coronel Fitts
Allison Janney – Barbara Fitts

 

Por que um filme mostra a vida de um cara cuja única alegria é se masturbar de manhã pôde ter ganhado 5 Oscars? Por que um filme que mostra esse mesmo cara fumando maconha para aliviar as tensões pôde ter sido o filme mais assistido de 1999 nos cinemas?

A resposta não poderia ser mais direta que o próprio filme: porque apesar de do invólucro perfeccionista que a sociedade americana tenta cultivar, nem sempre ela é sinônimo de felicidade e realização pessoal.

A história gira em torno de Lester (Kevin Spacey), um cinquentão que resolveu mudar sua vida infeliz após conhecer Ricky (Wei Bastley), seu novo vizinho.

Lester aparentemente vive numa rotina perfeita: tem um bom emprego, uma mulher bonita e uma filha dedicada aos estudos e a música. Ou seja, o padrão mais alto numa escala de valores da classe média dos EUA. Porém, o cara vive num ciclo vicioso profundo, que só o faz ter atritos com sua família e estar cotado a esvaziar sua sala de redação na empresa que trabalha a 14 anos, devido aos cortes propostos pelos novos contratados da administração. A saída? Se livrar do dia-a-dia em sonhos eróticos com Ângela (Mena Savari), melhor amiga de sua filha Jane (Tora Birch).

É exatamente essa quantidade de personagens envolvidos com o protagonista que dá uma dinâmica legal ao filme: cada um representa um ponto-de-vista diferente, do melhor modo de se aproveitar a vida.

A esposa Carolyn (Amete Bening) põe o sucesso profissional acima de tudo. Como vê o seu marido como o fracasso em pessoa, acaba se envolvendo com um mega-empresário do ramo no qual trabalha, o setor imobiliário.

Jane, a filha, está totalmente sem perspectiva quanto ao seu futuro, vendo a beleza de sua amiga Ângela (que aliás vive num mundo ilusório, mentindo constantemente sobre seu sucesso como modelo), acaba por desvalorizar seu corpo e sonhar com uma operação plástica.

Kevin se livra das tensões do dia-a-dia em sonhos eróticos com Ângela.

Diferente dos demais, temos o novo vizinho Ricky, que ao invés de buscar sucesso ou beleza, só quer conhecer o que está ao seu redor, já que parece mais adaptado ao mundo de aparências do perfeccionismo americano. Apesar de parecer um nerd fechado ou, segundo seu pai, um gay frangalhão, ele acaba conquistando Jane com seu ar de segurança e acaba servindo como referência a Lester, quando este descobre que o garoto ganha dinheiro traficando drogas ai invés de trabalhando como garçom, como pensam os seus pais.

Aliás, a mudança de Lester é radical: começa a usar drogas, a fritar hamburgueres numa lanchonete após se demitir do antigo emprego e a malhar para conquistar Ângela. Essa vida, aparentemente sem sentido e deprimente, é a única que consegue fazer o quarentão sorrir novamente.

De maneiras diferentes, o filme tenta mostrar que as pessoas somente visam um objetivo na vida: ser feliz, independente do que isso queira dizer.

 

Quem teria coragem de largar uma vida regular e ir atrás de seus sonhos?

Quem assiste ao filme despretenciosamente pode crer que a intenção do diretor era mostrar o quanto a vida do americano é sem sentido, mas parece mais que o filme quer provocar uma reflexão sobre “o que é fazer sentido”.

O diretor Sam Mendes, apesar de ser sua primeira experiência em longa metragens, soube vender muito bem o filme: atraindo as multidões como sendo um filme sensual, mas mostrando uma história provocante, não exatamente com medidas e curvas, que mistura drama e comédia de uma maneira bem digestiva.

O título, mesmo com essa carga sensual, se encaixa muito bem ao filme: “American Beauty” é o nome de um tipo de rosa cultivada nos Estados Unidos que possui uma peculiaridade: não possui espinhos ou cheiro, é uma metáfora ao vazio do americano comum.

Sem mais delongas, um filme surpreendente, com um enredo fora do usual e um final intrigante que mereceu seus prêmios e qualquer outro que poder-se-ia aparecer.










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