Terça-Feira, 17 de Setembro de 2019

Dhian Carlos Thierizi

Dhian Carlos é um jardineiro iniciante.

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Saudade



Você procura abrigo nas profundezas empoeiradas do seu guarda-roupa. Retira desesperadamente aquele monte de coisas que vem guardando durante o passar dos anos. Abre todas as caixas. Prepara a cama com carinho para receber tudo aquilo. Seu lençol torna-se uma aconchegante exposição de memórias.

Você vê as fotos de formatura do ensino médio, as cartas de amor e aniversário, os relógios de pulso quebrados. Vê as histórias em quadrinhos violentas que fazia, o primeiro caderno que usou na quinta série, as revistas de música.

O boletim escolar está com aquelas notas sensacionais. As lembranças da primeira comunhão e crisma estão tão imaculadas quanto à própria Virgem Maria.

Você pula para dentro do que vê. Viaja rapidamente como se tivesse inventado o mais foda dos meios de transporte. Você não quer sair de lá, mas sai. Sai porque tem uma mão que te puxa de volta. E ela é incrivelmente foda também. É a mão do presente, com aqueles dedos gigantescos e assustadores de realidade.

Ela bate seu rosto no criado-mudo, segura seu cabelo pela parte de trás da cabeça, te coloca de frente para esse portal do passado e diz, com voz escabrosa: “Não dá mais! Você não pode mais voltar! Seu filho da puta!”.

Você vê os seus amigos, seus lugares e as coisas que fazia sendo engolidos por um macabro fade out. Tudo vira nada.

Esse terrível acontecimento te persegue, não sai de jeito nenhum da memória. Na verdade, é só nisso que você pensa.

Os dias tornam-se meras repetições angustiantes de descontentamento. Perderam o seu brilho. Não importa se algo legal vai acontecer. Você, afinal, não estará lá.

Quando dorme, o travesseiro transforma-se em pedra. O cobertor está embebido em gasolina. Mente trancafiada. Sono sem descanso. Sonhos sem resposta.

Você acorda e lava o rosto com a incapacidade. Enxuga com o vazio.

Você é o encontro com a louça suja na pia. É a angústia que se sente quando baratas e ratos são vistos pela casa e fogem pra debaixo dos móveis.

É claro, você chora. Um rio selvagem de tristeza corre por sua alma. Seu rosto é um caminho musguento e sombrio por onde as lágrimas passam.

Você quer morrer afogado por esse pranto.

Pra dizer a verdade, você quer morrer de qualquer forma.

Você acabou de descobrir que não poderá mais sentir saudade.










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