Quinta-Feira, 6 de Maio de 2021

Victor Barboza

Victor Barboza é fundador da GFC - Gestão Financeira Criativa e atua com Educação Financeira e Gestão Financeira de pequenos negócios

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Setembro Amarelo: a relação da saúde mental com a saúde financeira



Os problemas de saúde mental aparecem cada vez com maior frequência, no mundo todo. Para você ter uma noção, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), em nível mundial, mais de 260 milhões de pessoas sofrem com transtornos da ansiedade.

Infelizmente o Brasil é o país com maior número de pessoas ansiosas: 9,3% da população. Além disso, 86% dos brasileiros sofrem com algum transtorno mental, como ansiedade, depressão ou stress severo.

As principais justificativas para este cenário são os reflexos do mundo em que vivemos hoje, que é intenso, rápido e cheio de mudanças. E, uma das principais causas para estes problemas na saúde mental é o estado de um outro “órgão” nosso: o bolso.

A relação da saúde mental com a saúde financeira

Como você sabe, o bolso não é um órgão do nosso corpo, porém, problemas envolvendo este podem desencadear problemas seríssimos para o indivíduo, a maior parte deles envolvendo justamente a saúde mental.

De acordo com uma pesquisa feita em março pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), 82,2% dos inadimplentes afirmaram ter sofrido algum tipo de sentimento negativo ao descobrir que estavam endividados.

O sentimento que mais apareceu foi a ansiedade (63,5%), seguida por irritação (58,3%), desânimo (56,2%), angústia (55,3%) e vergonha (54,2%). Além destes sentimentos, também foram citados efeitos colaterais: 42,8% disseram ter sofrido com insônia ou excesso de vontade de dormir, 32,3% disseram ter alterações no apetite.

E, tentando minimizar a ansiedade, algumas ações não tão benéficas acabaram sendo feitas: 28,2% partiram para algum vício, como cigarro, bebida ou comida, e 24,7% acabaram comprando mais do que o costume ou até perdendo controle sobre o consumo.

Lembre-se que, como mostra Daniel Kahneman, um dos grandes pesquisadores da Psicologia Econômica, ganhador do Prêmio Nobel da Economia e autor do livro Rápido e Devagar: duas formas de pensar, o ser humano acaba tomando suas decisões a partir de dois sistemas: o Sistema 1, intuitivo, rápido e emocional, e o Sistema 2, racional, analítico e lento. Na maior parte do tempo, como uma forma de poupar energia, as decisões acabam sendo tomadas pelo Sistema 1, logo, são decisões muito mais emocionais do que racionais, e que podem trazer impactos bem negativos para o nosso bolso.

O Consumismo Compulsivo

No filme Os Delírios de Consumo de Becky Bloom a protagonista, Becky, não consegue se controlar quando vai às compras. Ela tem uma necessidade enorme de passar o cartão e comprar tudo que acha interessante. Porém, chega um momento que ela, desempregada, tenta passar o cartão, imaginando que é algo praticamente ilimitado, porém a compra é negada. Aí ela descobre o tamanho do problema em relação às suas finanças.

Becky é só mais uma das milhões de pessoas que sofrem com o consumismo compulsivo. Como mostra a psiquiatra Ana Beatriz Barbosa Silva, em seu livro Mentes Consumistas: do consumismo à compulsão por compras, a Oniomania, popularmente conhecida como compulsão por compras, caracteriza-se por um estado constante no qual o indivíduo tem a mente dominada por pensamentos intrusivos e repetitivos relacionados à necessidade de adquirir diversos tipos de produtos. Esses pensamentos se tornam obsessivos, e o ato de comprar acaba adquirindo um caráter de urgência, como forma de aliviar o mal-estar interno.

O consumismo compulsivo acaba desencadeando ou agravando uma série de problemas relacionados ao bolso: perda do controle sobre as finanças, utilização de crédito, endividamento. E tudo isso acaba trazendo prejuízos não só para o bolso, como também para a saúde mental.

Não se preocupe, há soluções!

Ainda no livro Mentes Consumistas: do consumismo à compulsão por compras, a autora mostra que há uma luz no fim do túnel para o comportamento compulsivo pelas compras. A primeira coisa que precisa ser feita é o reconhecimento e a aceitação. A partir disso, o indivíduo passa a poder aproveitar de tratamentos existentes, que podem ser medicamentosos, psicoterápicos, dentre outros.

Em paralelo a isto, a educação financeira precisa caminhar junto de forma a ajudar o indivíduo a voltar a colocar as finanças no lugar, construindo um plano para quitação das dívidas, elaborando um orçamento e monitorando o comportamento das finanças no dia a dia.

São registrados cerca de 12 mil suicídios todos os anos no Brasil, e mais de 1 milhão no mundo todo. Destes, 96,8% acabam tendo relação com transtornos mentais. Isto mostra como a saúde mental é coisa séria.

Pensando nisso, a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) e o Conselho Federal de Medicina (CFM) criaram o Setembro Amarelo, uma iniciativa para prevenir e reduzir os números de suicídios, com ações para a conscientização sobre a importância de mantermos a nossa saúde mental em bom estado.

Como trouxemos, os problemas financeiros podem ser a ponta do iceberg de um grande problema envolvendo nossa saúde mental, ou o inverso, problemas psicológicos podem desencadear em consumismo compulsivo e/ou endividamento. Havendo necessidade, não fique parado. Busque ajuda e um plano de ação para tirar você desta!

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