Quarta-Feira, 18 de Maio de 2022

Thiane Ávila

Estudante de comunicação social, já atuou como professora de Língua Portuguesa e Inglesa. Seu gosto pela escrita foi percebido e trabalhado desde muito cedo, levando-a a, hoje em dia, manter um blog pessoal com postagens regulares de textos autorais.

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Tenho decepcionado muita gente



É tudo uma questão de colocar à prova a própria conduta de ser quem se é. É quando, pois, nos permitimos despojar de todas as constatações rasas sobre um estereótipo criado em cima de trejeitos impostos. Acontece no momento em que se permite despir das caricaturas e de uma educação esperada para criar um estilo alternativo em que o padrão passa a ser mudança.

Tenho decepcionado muita gente com a notícia de que o caminho que traçaram pra mim não será seguido. Fui aposta na mesa de bar como a certeza de orgulho e sucesso. Esqueceram-se apenas de perguntar o que significa ter uma vida exitosa. O dar-se por satisfeito com a normatização social frustra-me.

Desaprendi, com o tempo, todas aquelas regras sacramentais impostas em predileção de gente culta e de importância. A segmentação da liberdade por uma esmola de status e reconhecimento. Quando quiseram depositar em mim o futuro de uma pequena parcela da sociedade, não hesitei em retirar-me. Retirei o corpo e a máscara de cera que moldaram os olhos de quem não sabia me ver de outra maneira. Tenho decepcionado muita gente com a cristalização do ócio e a penetração nas profundezas do dessossego frente a tudo que há de podre entre os nossos.

Não sei lidar com expectativas alheias e percebi o quanto isso me alivia o peso dos dias. Não estar interessada no que falam sobre o que faço comigo, com meu corpo e com a minha vida gera uma leveza de espírito inexplicável. Recomendo. Os efeitos colaterais podem ser, quem sabe, alguns afastamentos e julgamentos de quem acha saber o que é melhor, mas aí a gente vai aprendendo a conviver. E se afastar, nesses casos, é o maior presente que se pode ganhar.

A grande dificuldade das gerações é a de desprender-se das protocolizações infundadas sobre um quê que nem se sabe o que é. Aculturamento de personalidade baseado em nadas. Sufocamento de vontades pelo medo de as vontades não serem supridas. A anarquia dos que não querem se submeter às imposições equivale à transgressão de valores. Hipocrisia mascarada de bons costumes e ordem social.

Tenho decepcionado muita gente e isso tem feito de minhas companhias uma seleção natural. É estar perto de quem aceita o plural e negar-se a mudar por aquilo que é estagnado na rotina de não querer sair do lugar. Família passa a receber outro significado à medida que deixam de te olhar nos olhos por não aceitarem o que não é igual. Talvez doa desconhecer o que parecia íntimo, mas dói ainda mais insistir na intimidade do que passou a ser desconhecido. 

 

THIANE ÁVILA.












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