Quarta-Feira, 18 de Maio de 2022

Pedro Fagundes de Borba

Estudo ciências sociais na Universidade do Vale do Rio dos Sinos; escrevo para portais; me chamo Pedro Fagundes Borba.

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Tragédia destinada



 O destino, inescapável, está sempre espreito, sempre ocorrendo. Certo em sua essência, sua profundidade e em sua ocorrência, é misterioso em sua forma, sua condução, podendo ocorrer em várias formas, sempre coerente com sua natureza, sua inevitabilidade. A cada momento que passa e a cada movimento que faz o vivo ser, o não vivo não,pois não se percebe, está se moldando, se encaminhando para onde se destina, mesmo que negue ou não queira, quem assim o faz assim se molda, constituindo sua própria forma, se tornando aquilo que o constitui, o que é na vida, toda sua composição, aquilo que a vida lhe fez.  

      Das histórias e ideias que já foram feitas e constatadas sobre este existente, sobre esta realidade, algumas se destacaram. Para falar sobre isso literariamente, irei usar uma das mais célebres, a peça de Sófocles “Édipo Rei”, também consagrada pelo nível de tragédia humana alcançada, facilmente comunicável com diversas outras áreas daquilo que se entende, se pesquisa, se quer descobrir.

     Quando o reinado de Tebas, governada pelo rei Édipo e pela rainha Jocasta, estava atacado, em desgraça, perdendo forças e contraindo as doenças, o rei precisou descobrir o porque que isto acontecia. Ao longo de suas  investigações descobriu fazer parte de uma profecia, a qual seu pai, Laio, tentara evitar enviando o bebê Édipo para longe, para anos depois cruzar com Édipo adulto na estrada e, numa briga, ser morto por ele, o qual não sabia ser aquele o seu pai. Após decifrar a Esfinge e entrar em Tebas, Édipo casa com sua mãe e viúva de Laio, Jocasta. Após anos de reinado, que gerou filhos, a cidade cairia em desgraça por isso. Jocasta se mata, Édipo fura seus olhos, vai viver longe.

     Entre suas investigações, Édipo consultara o sábio Tirésias, que a tudo sabia, e lhe disse ser ele o culpado, o criminoso pela desgraça. Furioso, Édipo lhe briga, desafiando, duvidando. Tirésias, sempre calmo vai lhe falando, lhe afirmando, destacando sua natureza, seu jeito de sempre vir, não se ver. Tirésias entendia o destino, percebia o que acontecia. Por esta característica tornava-se sábio, se mantinha assim, Édipo não, permitindo cumprir a profecia de parricídio e incesto, característica forte deste personagem, mesmo que ele não saiba. O destino atuava, era. Às maneiras sobre como se concretizou não eram tão certas, mas os eventos precisavam ocorrer os personagens alcançarem o ponto final de sua vida, cumprindo o que vieram.

     O destino é bastante obscuro e misterioso, possíveis vários caminhos e vidas para se concretizar, uma grande tragédia no caso de Édipo, um tanto pela sua personalidade, por seu jeito. Mas o ser formado, aquilo que já existe está fadado a um lugar, a um final, refletor daquilo que é, do que sofre e como reage. Alternando entre o social, o individual e aspectos misteriosos lá se chegam os destinados. O destino vai acontecendo, se fechando. Quando ocorre, fecha-se o ciclo do vivo, aquela vida consuma seu sentido e existência.












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