Quarta-Feira, 18 de Maio de 2022

Pedro Fagundes de Borba

Estudo ciências sociais na Universidade do Vale do Rio dos Sinos; escrevo para portais; me chamo Pedro Fagundes Borba.

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Um líder soberano



     O liberalismo é um dos piores males já inventados. Em termos de ideias, pouca discordância, praticamente nenhuma, pode ser dito em relação a isto. Dar a liberdade, ou a liberalidade, em termos, nada significaria senão um abandono e um desprezo pelo certo, pelo bom. Uma vez que se libera uma série de possibilidades, em si nada mais significa que uma bagunça, uma guerra entre as várias vozes e possibilidades. Um liberal defenderia então a existência de várias vertentes e transições, não uma única e poderosa que fosse capaz de criar e fazer o melhor em seu governo, acompanhando aquilo que acontece e entendendo, afastando problemas e mal entendidos.

    O soberano é o ideal para qualquer sociedade ou governo. Um sábio capaz de administrar e comandar seu povo e região em direção sempre ao que for certo, ao melhor para suas condições. Tal soberano, que deve ser indivisível e inquestionável, seria capaz de compreender os problemas e características, bem como as situações, prezando sempre pelo bem estar coletivo, garantindo a saúde e a felicidade de todos sem problemas. As liberdades tornam-se algo supérfluo, vazio e anacrônico então, uma vez que se está extinta a incapacidade do governo agir, de fazer com que seus cidadãos fiquem bem consigo mesmos, assimilando seus sentimentos e sensações para suas formas e origens, garantindo para as pessoas que isto fosse feito.

   A sabedoria do soberano garantiria que isso se concretizasse e fosse realizado plenamente de acordo com aquilo que estivesse acontecendo. Sem comprometer, muito menos destruir, a perfeição e a composição dos tecidos sociais, por ele governado e mantido com extrema sensibilidade, inteligência e competência, garantindo, por excelência, a perfeição social e o certo da vida. Também seria alguém dotado de tanto conhecimento, tanto entendimento do que é a vida que poderia dominá-la, fazer com que fosse colocada e vivida em sua total plenitude, resolvendo seus segredos e charadas.

   O liberalismo, por sua vez, impediria a existência deste soberano, ao afirmar que qualquer um poderia subir ao poder, fazendo com que este conhecimento e perfeição fossem destruídos ou mesmo pudessem ser evitados, colocando alguém que não dispusesse de tamanha sabedoria ou de tão poderosos conhecimentos e sensibilidade. O líder soberano seria aquele capaz de tamanha capacidade, por ser quem é conhecer o que conhece, e conduzir como conduz. Por isso, seria digno da soberania completa e total do povo.

    Tal figura, que é o grande ideal, seria como descrito por Hobbes, capaz de governar e manter a harmonia entre a humanidade. Mas, e este é um dos grandes males e problemas, este soberano não existe. Tal ser, moral e politicamente perfeito, termina sendo nada além de uma idealização de intelectuais que entendem e buscam aumentar seus conhecimentos sobre sociedade e relações sociais, desejando uma grande figura, um competente rei-filósofo capaz de fazer o bem para seu povo. Tal rei soberano conseguiria ter a capacidade de regular e moldar a sociedade de acordo consigo, levando a cabo seus problemas e mantendo uma harmonia ímpar entre todos seus cidadãos, fazendo com que a sociedade seja perfeita.

        Tal soberania precisaria ocorrer através desta grande perfeição, capaz de entender e reconhecer os problemas e características sociais, bem como garantir que aqueles que não querem a resolução destas questões sejam devidamente afastados. Pois o soberano, em ser indivisível e inquestionável, possui o senso político e sabe como conduzir realidades e condições adversas que apareçam, garantindo um bem estar generalizado para o povo, mesmo aqueles opostos a tais condições. Frente às contradições sociais que sempre existem, interesses políticos são essencialmente divergentes, cada um dos pontos levando para um lado, o qual serve de ideal. Se depender de cada, torna-se, naturalmente, impossível, uma sociedade justa, pois cada interesse prevaleceria sobre os demais, o mais forte e rico levando a melhor.

     Diante de tal realidade, algum tipo de governo forte, capaz de colocar a boa política, conduzindo e protegendo seu povo, parece obviamente a melhor opção. E é. A tristeza maior, razão das desgraças políticas mundiais, se trata de sua inexistência. O ser humano parece ser efetivamente incapaz de governar a si mesmo, gerando tragédias, mortes, assassinatos e várias outras desgraças. Sua tendência natural para a guerra, explicitamente visível nas relações sociais, cria sociedades baseadas em desigualdades e disputas entre espaços, poderes e dinheiros. As contradições sociais são tão profundas e entranhadas que, mesmo aqueles que fazem algo contra problemas sociais, já começam afundados nestas mesmas contradições, não conseguindo viver sem elas. Nisto já fica vívida a ironia e o paradoxo da impossibilidade humana. O homem se torna o lobo do homem. Mas do próximo, não de si mesmo.

      Naturalmente, isto indicaria a necessidade de um grande soberano, capaz de resolver este problema. Mas volta-se a inexistência do soberano capacitado e bom, que fosse administrar e resolver tais questões. Por isso, ficamos em situação tão ruim, com sociedades tão imperfeitas e cheias de problemas. Pode-se entender isto como uma própria consequência humana, nas guerras veladas existentes nas relações sociais. Perante tal inexistência, passa a ser necessário ver aquilo que seja bom em várias vozes que aparecem e colocar naquilo. Muitas serão horrendas, no máximo disfarçando através de mentiras, mas acabará sendo espaço e realidades. Precisará saber como e o que lidar e fazer. Estamos presos ao liberalismo. A falta de um soberano impede uma sociedade perfeita.

     












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