Sábado, 21 de Outubro de 2017

10/12/2007 - São Roque - SP

Bem-Estar Social transforma Casa da Criança num lar verdadeiro




A Casa da Criança “Sarah Mazzeo Alves” é um dos principais trabalhos desenvolvidos pelo Departamento de Bem-Estar Social porque tem como objetivo principal abrigar, provisória e excepcionalmente, crianças cujos direitos básicos tenham sido violados ou ameaçados, mediante determinação judicial. Mais que um teto, o dia-a-dia no local é marcado pela promoção de um ambiente onde as crianças, oriundas de situações de abandono e até violência doméstica, vivenciem a experiência de um lar normal com afeto e apoio.

Desde o inicio de 2005, a Casa da Criança funciona num imóvel situado à rua Capitão Silveira Vieira, onde a estrutura de cômodos oferece uma condição digna de moradia que também possibilita um trabalho de monitoria e a implantação de um sistema disciplinar mais eficiente. Atualmente, 20 crianças na faixa etária de 0 a 12 anos e adolescentes mulheres moram na Casa da Criança. Os adolescentes homens são acolhidos num espaço físico separado conhecido como Casa do Adolescente localizada na Avenida Três de maio.

As crianças são acomodadas em quartos feminino e masculino todos com banheiros, os bebês são assistidos num quarto berçário e ainda há um quarto reservado aos casos emergenciais de crianças encaminhadas em circunstâncias especiais. O local ainda conta com uma área de lazer, cozinha e uma ampla sala de estar que serve como refeitório e espaço de atividades.

A rotina dentro da casa é organizada a partir de uma série de regras e horários estipulados para contemplar todas as necessidades básicas das crianças. Durante a semana elas acordam bem cedo, tomam banho, café e vão para a escola municipal. Depois da aula almoçam e vão para a sede do Projeto Re-Construir onde participam das atividades esportivas, culturais e socioeducativas. No fim da tarde, voltam para casa fazem lição, depois disso brincam, assistem à televisão, tomam banho, jantam e às 21 horas vão dormir. Aos sábados a hora de ir para a cama é adiada até as 23 horas. As crianças acolhidas ainda participam regularmente de passeios e fazem programas culturais.

Para organizar a estrutura física disponível e ainda monitorar essa turminha e mais os jovens abrigados na Casa do Adolescente, a Prefeitura conta com dez monitores capacitados divididos em turnos do dia e da noite, uma coordenadora e uma psicanalista que presta assistência às crianças, às famílias das crianças abrigadas e das que retornarão ao lar. “Tomamos o cuidado de preparar estas famílias que vão receber as crianças de volta para que elas possam realmente educá-las”, ressalta a diretora do Departamento de Bem-Estar Social, Maria Celina Machado Ale. Segundo a diretora, há situações em que a prefeitura acaba até fazendo melhorias na casa da família das crianças para que elas retornem aos seus lares de origem com um mínimo de condições para uma vida digna.

Todo o trabalho executado na Casa da Criança assim como o acompanhamento de cada abrigado é feito pelo Poder Judiciário por meio de relatórios enviados ao fórum. Além disso, o Juiz e a Promotora de Justiça fazem visitas esporádicas no local. A Casa da Criança também está inscrita no Conselho Municipais de Assistência Social (CMAS) e no Conselho dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMCDA)

A preocupação de oferecer condições, disciplinar, dar o apoio afetivo necessário e principalmente agir com transparência perante a sociedade e à Justiça faz parte metodologia que vem dando resultados positivos. De acordo com Celina, hoje, os conflitos e as poucas manifestações de rebeldia dos abrigados são controlados com tranqüilidade e o comportamento dos jovens que são reintegrados às famílias demonstram melhoras significativas. “Nosso trabalho atende ao que o Estatuto da Criança e do Adolescente preconiza, procuramos trabalhar com grupos pequenos e levar a eles a realidade de um lar com todas as suas características afetivas”, explica Celina. “Temos o caso de um jovem que era da Casa da Criança que voltou para a sua família e está tão bem que está trabalhando”, comemora emocionada.

Dados quantitativos também ilustram os resultados positivos obtidos na Casa da Criança. De 2005 até hoje, das 97 crianças abrigadas, 23 foram reintegradas com sucesso às famílias originais ou famílias sociais, um número significativo para os profissionais que trabalham com crianças.

Passado difícil e mudança de local
A emoção da diretora ao falar de um dos exemplos de sucesso da Casa da Criança tem uma razão especial e está relacionada a um momento difícil do abrigo. Nos anos de 2003 e 2004, período em que a Casa da Criança funcionou no imóvel, onde hoje está instalado o Centro de Convivência do Idoso (CCI), a situação era bastante diferente.

A estrutura física do local, a quantidade de crianças e jovens do mesmo sexo abrigados juntos e omissão de alguns profissionais que respondiam pela Casa da Criança na época originaram uma série de problemas graves que Celina se esforça para esquecer. “Chegou a um ponto que a bagunça era tanta que parecia um daqueles motins da Febem, com jovens em cima do telhado arremessando telhas no chão”, relembra.

Na opinião da Diretora do Departamento de Bem-estar Social, a filosofia disciplinar seguida na época e o tamanho do lugar dificultavam o trabalho dos monitores e favorecia as manifestações de rebeldia dos abrigados.

A vizinhança do local testemunhou os fatos e também não gosta de lembrar o passado. Antonio Carlos Reis Sanches, que mora há 57 anos numa casa a poucos metros rememora uma situação que aconteceu com ele: “uma menina subiu no telhado, entrou na minha casa. Um tempo depois, uma pessoa que tinha a responsabilidade de cuidar das crianças, bateu na minha porta e me pediu para chamar a criança. Eu disse que não sabia de criança nenhuma, mas fui checar para minha surpresa ela estava escondida num quartinho dos fundos”. Sanches relata também que a situação trazia intranqüilidade aos vizinhos. “Não podíamos fazer nada porque tínhamos medo deles fazerem algo contra nós”, desabafa.

A aposentada Maria Aparecida Salles Pereira Leite, também testemunhou situações inexplicáveis para um local que tinha como proposta o acolhimento das crianças e dos jovens. “Subiam no telhado jogavam coisas nas outras casas, algumas fumavam muito, saiam e só voltavam de madrugada”, comenta.

Indignação
Ao ser questionada sobre os transtornos causados pelos abrigados da Casa da Criança há cerca de dois anos, Maria Aparecida menciona a tentativa do vereador Estrada de causar polêmica sobre a Casa da Criança, publicando no jornal uma moção de repúdio não aprovada pela Câmara. “A gente percebe que este tipo de coisa aparece quando vai chegando a eleição, porque na época que aconteceu tudo isso, nenhum vereador levantou o assunto”, questiona indignada.

Segundo Antonio Carlos e Maria Aparecida, assim como eles, outros vizinhos estão contentes com o CCI no local e preparam um abaixo-assinado para que a Casa da Criança fique onde está hoje, com os mesmos resultados e tranqüilidade.

Fonte: Prefeitura de São Roque



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